quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Crítica #6


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Em 1937, Walt Disney produziu aquela que seria a primeira grande longa-metragem de animação, SNOW WHITE AND THE SEVEN DWARFS. A partir daí os estúdios Disney nunca mais pararam, e, nos anos seguintes foram produzidos mais quatro filmes inesquecíveis: PINOCCHIO e FANTASIA, em 1940; DUMBO, em 1941 e BAMBI, em 1942. E foi então que os Estados Unidos da América entraram na Segunda Guerra Mundial, o que, como é evidente, se fez sentir no mundo da animação. Entre 1942 e 1949, os estúdios Disney lançaram filmes de baixo orçamento e sem grande sucesso comercial. Em 1950 surge Cinderela, e nas duas décadas que se seguiram, foi sucesso atrás de sucesso com os filmes ALICE IN WONDERLAND (1951), PETER PAN (1953), LADY AND THE TRAMP (1955), SLEEPING BEAUTY (1959), ONE HUNDRED AND ONE DALMATIANS (1961), THE SWORD IN THE STONE (1963), THE JUNGLE BOOK (1967), THE ARISTOCATS (1970, já completado após a morte de Walt Disney) e ROBIN HOOD (1973). Nas duas décadas que se seguiram a Disney perdeu um pouco o rumo e produziu filmes menos bons e com pouco sucesso comercial. Até que chegamos ao final dos anos 80. Desde essa altura até meados da década de 90, estamos na chamada renascença da Disney, em que foram produzidas quatro obras-primas do cinema de animação: THE LITTLE MERMAID (1989), BEAUTY AND THE BEAST (1991; o único filme de animação até hoje a ser nomeado para o Óscar de Melhor Filme), ALADDIN (1992) e THE LION KING (1994; durante quase uma década foi o filme de animação que mais dinheiro rendeu nas bilheteiras de todo o mundo). Eis que surge a Pixar, com o revolucionário TOY STORY (1996), o primeiro filme de animação 100% digital e um estrondoso sucesso. E, a partir daí, a Pixar também não mais parou, produzindo obra-prima atrás de obra-prima: A BUG'S LIFE (1998), TOY STORY 2 (1999), MONSTERS, INC. (2001), FINDING NEMO (2003; o tal filme que ultrapassou THE LION KING como o filme de animação mais visto de todos os tempos, para ser ultrapassado pouco tempo depois por SHREK 2, da Dreamworks), THE INCREDIBLES (2004), CARS (2006), RATATOUILLE (2007) e WALL-E (2008). A Disney continuou com a animação tradicional durante alguns anos, e até produziu alguns filmes bastante interessantes, mas nada que se comparasse com os tempos áureos. Em 2005, resolveram entrar na animação digital com CHICKEN LITTLE. O filme é agradável, mas nada que se compare a alguns filmes que outros estúdios produziram na mesma altura. Fizeram uma segunda tentativa com MEET THE ROBINSONS (2007), mas, mais uma vez falharam. Ora, como se costuma dizer, à terceira é de vez, porque com este BOLT, acertaram em cheio.

A história deste filme é bastante interessante: Bolt (John Travolta), um cão branco, e a sua dona Penny (Miley Cyrus), são as estrelas de uma série de televisão sobre um cão com superpoderes que tem que impedir o malvado Dr. Calico (Malcolm McDowell) de levar por diante os seus planos de dominação do mundo. A particularidade é que Bolt não faz a menor ideia que é a estrela de um programa de televisão, achando que tem de facto superpoderes e que as situações que vive na série são reais. Quando um episódio acaba em suspense com o rapto de Penny, o corajoso cão pensa que ela foi, de facto, raptada e resolve fazer de tudo para a salvar. Com a ajuda da gata Mittens (Susie Essman), que Bolt pensa estar associada com o vilão da série e o hamster Rhino (Mark Walton), o protagonista vai percorrer o país, na tentativa de recuperar a sua dona, que morre de saudades dele.
Estando muito longe do tradicional conto de fadas da Disney, BOLT surge-nos como uma história moderna, original e divertida. O filme é tecnicamente perfeito, muito bem construído em termos narrativos e com personagens absolutamente deliciosas (é difícil ver o filme sem ter vontade de levar Bolt para casa). É muito bom ver a Disney a reinventar-se e a produzir filmes que falam ao público do século XXI. 

Este filme é um dos pré-nomeados para Óscar de Melhor Filme de Animação e espero, sinceramente, que a Academia das Artes e das Ciências Cinematográficas reconheça o seu valor. É que BOLT é, sem dúvida, o melhor filme da Disney em muitos anos. Uma verdadeira preciosidade.

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