quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal



Aqui têm Feliz Natal nas seguintes línguas: português, inglês, francês, afrikaans, árabe, mandarim, croata, checo, dinamarquês, grego, alemão, japonês, espanhol, italiano, havaiano, russo e hebraico.


FELIZ NATAL

MERRY CHRISTMAS

JOYEUX NÖEL

GESEËNDE KERSFEES

MILAD MAJID

SHÈNGDÀNJIÉ KUÀILÈ

SRETAN BOZIC

PREJEME VAM VESELE VANOCE

GLÆDELIG JUL

KALA CHRISTOUYENNA

FROEHLICHE WEIHNACHTEN

MERII KURISUMASU

FELIZ NAVIDAD

BUON NATALE

MELE KALIKIMAKA

S ROZHDESTVÓM

CHAG SAMEACH

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Parabéns Filmezitos!

Faz hoje um ano que criei este blogue. Nessa altura, devo confessar, não sabia funcionar muito bem com o blogger. Acabei por aprender e aqui estou. Não escrevi nele tanto como gostaria, mas, apesar disso, acho que não me tenho saído muito mal.

Parabéns Filmezitos!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Crítica #25

INGLOURIOUS BASTERDS (2009), de Quentin Tarantino

É difícil classificar este filme. Será um drama, uma comédia, um filme de suspense ou de acção? Tarantino oscila entre um e outros, sem nunca se comprometer só com um. Mas vamos por partes.

A acção de INGLOURIOUS BASTERDS inicia-se em 1941, na França ocupada pelas forças nazis. Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), uma jovem judia, vê a sua família ser morta por oficiais nazis, comandados pelo cruel Coronel Hans Landa (Christoph Waltz). Ela é a única sobrevivente. Entretanto, os "Sacanas" que dão o título ao filme estão a ser formados: trata-se de um grupo de soldados judeus norte-americanos, comandados pelo Tenente Aldo Raine (Brad Pitt), cujo objectivo é matar o maior número de soldados nazis possível. Três anos depois vemos Shosanna em Paris com uma nova identidade; ela é agora a dona de uma sala cinema, onde trabalha com o seu namorado, Marcel (Jacky Ido). Ela vê a oportunidade perfeita para se vingar quando o realizador alemão Joseph Goebbels (Sylvester Groth) decide aí estrear o seu novo filme. O plano é simples: pegar fogo ao local com a elite nazi lá dentro. Ao mesmo tempo, os "Sacanas", com a colaboração do Tenente Archie Hicox (Michael Fassbender), um oficial britânico e especialista no cinema do Terceiro Reich e da actriz e espia alemã Bridget von Hammersmark (Diane Kruger), têm um plano semelhante: colocar explosivos na sala de cinema para matar os oficiais nazis que estarão presentes na estreia, incluindo Hitler (Martin Wuttke). Os dois planos, que funcionam de forma independente, vão inevitavelmente convergir.

Como disse no início do post, é difícil enquadrar INGLOURIOUS BASTERDS num único genéro, pois vemos aqui de tudo: drama (praticamente todas as cenas com Shosanna), comédia (a cena em que quatro dos "Sacanas", quando confrontados por Landa, tentam falar italiano), suspense (a tensão que se vai acumulando ao longo do filme quanto ao resultado dos planos de Shosanna e dos "Sacanas") e acção (a última cena a ter lugar no cinema). E o que é espantoso é que todas essas vertentes resultam muito bem na história.

INGLOURIOUS BASTERDS reflecte, com bastante cuidado, sobre o poder da linguagem verbal (por exemplo, a cena inicial), corporal (a cena no bar e o pormenor que denuncia o Tenente Hicox) e imagética (o papel do cinema como veículo de transmissão de ideias; as suásticas que os "Sacanas" cravam na testa dos soldados nazis). Não é por acaso que Tarantino decidiu (e muito bem) pôr as personagens a falar as línguas que lhes correspondem (os franceses falam francês, os alemães falam alemão, os norte-americanos falam inglês com um sotaque norte-americano, os britânicos falam inglês com um sotaque britânico), ao contrário do acontece em outros filmes, onde vemos personagens de outras nacionalidades a falar inglês com um sotaque forçado.

Ao mesmo tempo, vemos aqui uma reflexão sobre a dualidade vingança/justiça. O plano de Shosanna para matar os oficiais nazis é vingança pela morte da sua família (ela prória diz "Este é o rosto da vingança judaica!") ou justiça? Ou será que as duas coisas são indissociáveis? E como interpretar a cena final: justiça poética ou vingança sádica?

Tecnicamente nada há a apontar: cinematografia, direcção artística, efeitos especiais, está tudo perfeito e no lugar certo. A banda sonora é tipicamente "à Tarantino" e bastante peculiar para um filme do género, mas resulta bem.

Quanto ao casting, gostei das escolhas. Não há dúvida que Brad Pitt é infinitamente melhor em papéis cómicos do que em papéis dramáticos e o seu Aldo Raine é o exemplo disso. Os restantes intérpretes dos "Sacanas" têm também interpretações muito boas. Os destaques vão, no entanto, para duas interpretações: Mélanie Laurent, que interpreta magistralmente a atormentada Shosanna e Christoph Waltz, que incorpora de forma assombrosa o sádico e traiçoeiro Coronel Landa (é raro ver um actor que domine tão bem como Waltz quatro línguas diferentes: vêmo-lo a falar alemão, inglês, francês e italiano com um enorme à vontade). Iria mesmo ao ponto de dizer que a interpretação de Waltz é merecedora de um Óscar (já lhe valeu o prémio de Melhor Actor no Festival de Cannes deste ano).

INGLOURIOUS BASTERDS é, sem dúvida, um filme que diz tudo aquilo que quer dizer sem deixar nada de fora. Está tudo onde tem que estar e no final fica-se com a sensação de objectivo cumprido. Para mim, é um dos melhores filmes do ano.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Crítica #24


 A música pode ser o exemplo único do que poderia ter sido - se não tivesse havido a invenção da linguagem, a formação das palavras, a análise das ideias - a comunicação das almas.
Marcel Proust

É precisamente sobre a música e a forma como ela nos toca a alma que NICK AND NORAH'S INFINITE PLAYLIST (NICK E NORAH: PLAYLIST INFINITA, em português) se debruça. O filme é baseado no livro homónimo dos escritores norte-americanos Rachel Cohn e David Levithan. Nick (Michael Cera) é um adolescente que vive em Hoboken, New Jersey e está inconsolável após o final da relação com a namorada, Tris (Alexis Dziena); ele não percebe porque é que ela decidiu pôr fim à relação e deixa-lhe obsessivamente mensagens no voice-mail. Norah (Kat Dennings), a filha do famoso dono de uma editora discográfica, e a sua melhor amiga, Caroline (Ari Graynor), andam na mesma escola que Tris. Norah e Tris não se suportam, pois enquanto que Norah é inteligente e motivada, Tris é uma menina mimada, que usa as pessoas conforme as suas necessidades. Na noite em que a acção do filme começa, todas estas personagens encontram-se num bar em Manhattan, onde a banda de que Nick faz parte, os Jerk-Offs, estão a tocar. Uma série de mal-entendidos fazem com que Nick e Norah, assim como uma muito bêbada Caroline e os restantes membros dos Jerk-Offs, Thom (Aaron Yoo) e Dev (Rafi Gavron), percorram a cidade em busca do local onde os Where's Fluffy, uma mítica banda rock, vão tocar. Com todas as experiências loucas que vivem naquela noite, Nick e Norah descobrem que têm muito em comum, a começar pelos gostos musicais.

Se dúvidas houvesse que Nova Iorque é, de facto, "the city that never sleeps" (a cidade que nunca dorme), este filme eliminá-las-ia. Efectivamente, Nova Iorque é uma das personagens do filme, com a sua vivacidade, o seu constante movimento e o frenesim imparável. A oportunidade para Nick e Norah se conhecerem não faria grande sentido noutro local. O que os une é, sem dúvida, a música. Logo no início do filme, é referido que Norah já demonstrava interesse em Nick mesmo antes de o conhecer: ela recuperava do caixote do lixo os CD's que ele gravava para Tris. Nick fica encantado quando Norah o leva ao estúdio de gravação do pai, admirando a História que o mesmo contém. Eles falam através da música, comunicam através da música e, se virmos bem, é através da busca de uma banda lendária que se descobrem um ao outro.

Tal como se passa com as personagens, é em grande parte através da música que o filme comunica connosco, os espectadores. A escolha das músicas que dão corpo à bamda sonora não podia ser melhor. A realização de Peter Sollett
é bastante competente, havendo planos bastante interessantes. A cinematografia é também boa, mostrando as "trevas" e a "luz" de Nova Iorque (e, paralelamente, as das vidas de Nick e Norah).

Surpreendentemente, a química entre Michael Cera e Kat Dennings é muito boa: eles formam um par romântico bastante credível. É de destacar também Aaron Yoo e Rafi Gavron, hilariantes como Thom e Dev.

A música, tal como toda a arte, tem o poder de tocar a alma de um ser humano. Se pudermos encontrar alguém com uma alma igual à nossa, tanto melhor. NICK AND NORAH'S INFINITE PLAYLIST evoca, de forma admirável, a descoberta do amor.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Crítica #23

LIVES OF THE SAINTS (2004), de Jerry Ciccoritti

As sagas familiares não são propriamente uma novidade, tanto na literatura, como no cinema. Normalmente, têm bastante sucesso e é fácil perceber porquê: a evolução de uma família ao longo do tempo, o choque de gerações e costumes e a relação conflituosa entre os membros dessa mesma família são algo com que todos, de uma forma ou de outra, nos podemos identificar. 

LIVES OF THE SAINTS (estranhamente traduzido para português como ANJOS TRAÍDOS) é baseado na trilogia de romances do escritor italo-canadiano Nino Ricci (LIVES OF THE SAINTS, IN A GLASS HOUSE e WHERE SHE HAS GONE). Foi originalmente exibido no Canadá em 2004, como uma minissérie de 2 episódios. A história foca-se em Vittorio Innocente (interpretado enquanto criança por Flavio Pacilli, enquanto adolescente por Joseph Marrese e enquanto adulto por Fab Filippo) desde a sua infância na pequena aldeia italiana de Valle del Sole nos anos 50, até à idade adulta no Canadá nos anos 60 e 70. Quando era criança, Vittorio vê a sua mãe, Cristina (Sabrina Ferilli), ser ostracizada pelos habitantes da aldeia devido a uma gravidez resultante de uma relação fora do casamento. Ele próprio é vítima de olhares mesquinhos e da violência dos colegas de escola, sendo protegido pela sua professora e tia Teresa (Sophia Loren), uma mulher conservadora que não perdoa Cristina pelo que ela está a fazer à sua família. Pouco antes da criança nascer, Cristina decide partir com o filho para o Canadá, com o pretexto de ir ter com o marido, Mario (Nick Mancuso), que havia emigrado há já alguns anos, mas com a intenção de se ir encontrar com o pai da criança que carrega. No barco que os levaria até ao destino, Cristina morre ao dar à luz, deixando Vittorio e a menina que entretanto nasceu, Rita (interpretada enquanto criança por Ashley Yusupov e enquanto adulta por Jessica Paré), entregues a Mario, que odeia a menina, principalmente devido à sua semelhança física com Cristina. A forma como esta família lida com a "bastarda", como lhe chamam, e o desejo de vingança de Mario que Vittorio também adquire, tornam-se parte central da história.

Mesmo sem ter lido a trilogia de romances que deu a origem a este filme, consigo notar alguns problemas na adaptação, sendo o principal o condensar de três livros em dois episódios. Há alguns pormenores da história que deviam estar melhor desenvolvidos.

Outra coisa que me incomoda é a utilização da língua inglesa quando as personagens deviam falar italiano; pior que isso, o facto de ser utilizado um inglês com um sotaque italiano forçado. O domínio do italiano por parte dos actores não era problema; ouvimos a língua a ser falada várias vezes. Parece-me que esta escolha retira a LIVES OF THE SAINTS uma certa autenticidade.

Um outro aspecto que me desegrada é o final, na minha opinião mais melodramático que o necessário.

O retrato da comunidade italiana no Canadá está bastante bem apresentado, mostrando como aquelas pessoas nunca se integram totalmente, nem esquecem as suas raízes. A cinematografia é bastante competente, especialmente a da parte da história passada na Itália. A banda sonora é adequada à história, oscilando entre a clássica música italiana e os ritmos pop anglófonos dos anos 60 e 70.

Quando ao elenco é de destacar, como parece lógico, o excelente desempenho de Sophia Loren, que consegue interpretar a atormentada Teresa de forma magistral. É também digna de nota Jessica Paré, que consegue dar a Rita uma aura bem interessante.

Um filme longe de ser perfeito, mas que vale a pena ver. Afinal de contas, apesar das diferenças culturais incontornáveis, uma família acaba por ser igual em qualquer parte do mundo.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Crítica #22

MISS PETTIGREW LIVES FOR A DAY (2008), de Bharat Nalluri

A escritora britânica Winifred Watson publicou MISS PETTIGREW LIVES FOR A DAY (A VIDA NUM SÓ DIA, em português) em 1938, tendo o livro sido um sucesso imediato. Os direitos de autor para o cinema foram adquiridos de imediato, mas com o eclodir da Segunda Guerra Mundial, o filme ficou na prateleira. 70 anos depois o livro foi ressuscitado e o filme finalmente produzido.

A história começa em Londres, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial. Guinevere Pettigrew (
Frances McDormand) é uma ama de meia idade que acabou de ser despedida de mais um emprego. Sem sítio para onde ir, nem dinheiro para comer ela decide aceitar um emprego como "secretária social" da extravagante cantora e actriz americana Delysia Lafosse (Amy Adams). De repente, Guinevere dá por si a ser arrastada para o mundo da alta sociedade, tentando ajudar Delysia a gerir a sua tumultuosa vida amorosa com três homens diferentes: o apaixonado pianista Michael Pardue (Lee Pace), o rude dono de um clube musical nocturno Nick Cordorelli (Mark Strong) e o jovem e muito infantil empresário Phil Goldman (Tom Payne). A própria Guinevere sente-se bastante atraída pelo charmoso designer de lingerie Joe Bloomfield (Ciarán Hinds), que está noivo da interesseira Edythe DuBarry (Shirley Henderson), a única que parece saber que Guinevere não é propriamente uma "secretária social". Durante 24 horas, Guinevere e Delysia vão ajudar-se mutuamente a descobrir a vida que realmente querem viver.

MISS PETTIGREW LIVES FOR A DAY começa por parecer uma comédia romântica agradável e inconsequente; mas conforme o filme vai avançando, vamo-nos interessando genuinamente por aquelas personagens, que revelam ser muito mais do que "peças" numa comédia sem sentido. Delysia, por exemplo, que de início parece ser apenas uma caricatura de uma jet setter sem inteligência, revela-se um ser humano carregado de complexidade moral. Guinevere, de início apenas com a aparência de uma ama incompetente, revela-se uma mulher cheia de segredos e fantasmas. A bondade de Joe, a paixão genuína de Michael, a arrogância de Nick, a infantilidade de Phil e a crueldade de Edythe também vão aparecendo aos olhos do espectador a pouco e pouco, dando vontade de conhecer todos eles.

A Londres do final dos anos 30 é o cenário perfeito para esta história de aparências e ilusões. A iminência da guerra parece não preocupar os mais jovens, que vêem os fatos anti-bomba como um "desastre da moda"; por outro lado, Guinevere e Joe, que já haviam passado por uma guerra 20 anos antes, percebem que as simulações de bombardeamentos aéreos são mais do que uma brincadeira, mas sim algo que vai mudar a vida de todas aquelas pessoas. O facto de a guerra estar mesmo à vista é uma forma de dizer que toda a felicidade conquistada pode ser efémera e, como tal, é preciso aproveitá-la.

Frances McDormand surpreendeu-me; nunca a tinha visto num papel cómico, mas aqui ela prova que, de facto, consegue ser excelente também na comédia. Amy Adams comprova mais uma vez a sua versatilidade como actriz. O restante casting é também muito acertado, com destaque para Ciarán Hinds.

Quando fingimos ser aquilo que não somos, atraímos quem não queremos. De forma clara e bem-humorada, MISS PETTIGREW LIVES FOR A DAY ensina-nos uma importante lição: só sendo honestos com os outros, poderemos ser honestos connosco mesmos (e vice-versa).

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Crítica #21


Quando pensamos na rainha Victoria, imaginamos uma senhora de idade, baixa, forte, soturna, austera e sempre vestida de preto. Mas a verdade é que ela também foi jovem, bonita e rebelde, um aspecto da sua vida pouco conhecido, que este filme tenta recriar.

Como o próprio título do filme dá a entender, THE YOUNG VICTORIA
(A JOVEM VITÓRIA, em português) mostra-nos a infância e juventude da rainha. Victoria (Emily Blunt) era filha do Príncipe Edward Augustus, Duque de Kent e Strathearn (o quarto filho do rei George III) e da Princesa Victoria de Saxe-Coburg-Saalfeld, Duquesa de Kent e Strathearn (Miranda Richardson). Desde criança que ela sabia o lugar que ocupava na linha de sucessão ao trono e as maquinações políticas a que estava sujeita, tanto por parte do seu tio materno, o rei Leopold I da Bélgica (Thomas Kretschmann), como de Sir John Conroy (Mark Strong), secretário e amigo pessoal da sua mãe. O objectivo de Leopold era conquistar o apoio da Inglaterra, enquanto que o de Conroy era fazer com que Victoria assinasse um documento fazendo da Duquesa de Kent regente e dele próprio o poder por trás do trono. Com o ojectivo de conquistar o apoio da jovem princesa, Leopold envia a Inglaterra os seus sobrinhos Albert (Rupert Friend) e Ernest (Michiel Huisman). Victoria e Albert ficam imediatamente encantados um com outro, casando-se em 1840, quando ela era já rainha. Ele tenta também exercer a sua influência sobre ela, tentando atenuar os efeitos das maquinações de Lord Melbourne (Paul Bettany) e da baronesa Lehzen (Jeanette Hain), ama e confidente de Victoria desde a infância.

Fazer um biopic sobre uma figura história desta relevância é arriscado, principalmente quando a escolha é incidir sobre um período menos conhecido da sua vida. THE YOUNG VICTORIA está muito bem conseguido, tanto na recriação da época, como no cuidado que tem no desenvolvimento das personagens. É interessante a forma como nos consegue dar a ver a mulher por trás da rainha que foi Victoria. A relação de Victoria e Albert é, sem dúvida o foco do filme e nisso o argumento de Julian Fellowes não falhou: a forma como eles se conhecem e se apaixonam é bem apresentada (e, arrisco-me a dizer, muito próxima da realidade); não nos é mostrada à pressa, dando-nos tempo para perceber o porquê de se terem interessado um pelo outro (aliás, o casamento acontece nos últimos 30 minutos do filme). Por tràs de tudo isto, temos as maquinações políticas de várias personalidades relevantes; manipular Victoria enquanto era ainda criança parecia simples e consegui-lo era o passaporte para o poder. Curiosamente, a pessoa por quem Victoria mais se deixou influenciar, foi das poucas que nutriu por ela um sentimento verdadeiro.

O guarda-roupa, a cinematografia, a caracterização e a direcção artística retratam perfeitamente o ambiente da época, dando-nos a entender que Victoria está bem longe de ser a viúva soturna que conhecemos. A banda sonora está excelente, com destaque para a canção que se ouve no genérico final ("
Only You", interpretada por Sinéad O'Connor).
O casting está perfeito, especialmente Emily Blunt e Rupert Friend, perfeitos como Victoria e Albert.

Por tràs de uma rainha há sempre uma mulher. E, modificando o conhecido ditado, ao lado de uma grande mulher há sempre um grande homem. Para além da política e dos interesses, há algo que influenciou ainda mais o tipo de rainha que Victoria foi: o amor.


terça-feira, 21 de julho de 2009

Crítica #20

HARRY POTTER AND THE HALF-BLOOD PRINCE (2009), de David Yates

Um aviso prévio: este post contém spoilers. Por isso, se não viram o filme nem conhecem a história, se calhar será melhor não lerem o que escrevo aqui.

Eu sou, já há alguns anos, uma fã acérrima da saga criada por J.K. Rowling
. Desde que li o primeiro livro fiquei fascinada com o mundo inventado pela escritora. Percebi desde logo que, ao contrário da opinião de algumas pessoas, estes livros não são, de maneira nenhuma, só para crianças. Conforme fui crescendo, fui sabendo apreciar melhor cada um dos livros, que se foram tornando cada vez mais sérios e com um tom cada vez mais negro. Isto é fácil de entender: os protagonistas cresceram, e a sua percepção da realidade tornou-se, também mais "adulta". Em 2001, surgiu o primeiro filme, realizado por Chris Columbus (o mesmo realizador dos dois primeiros SOZINHO EM CASA), um excelente realizador, mas que deu a HARRY POTTER AND THE PHILOSOPHER'S STONE (ou SORCERER'S STONE, nos E.U.A.) um tom de filme familiar que fez dele um filme simpático e agradável, mas não ao nível da genialidade do livro. Foi também Columbus o realizador do segundo filme, HARRY POTTER AND THE CHAMBER OF SECRETS, dando-lhe o mesmo tom que o primeiro. Eis que chegamos a 2004 e ao terceiro filme, HARRY POTTER AND THE PRISONER OF AZKABAN, desta vez com Alfonso Cuarón. A diferença é notória: o filme é mais fiel ao livro e o tom é bastante mais negro, como tem que ser. O quarto filme, HARRY POTTER AND THE GOBLET OF FIRE, foi realizado por Mike Newell, que, apesar de não tão bom como Cuarón, soube adaptar o livro de forma competente. O quinto filme, HARRY POTTER AND THE ORDER OF THE PHOENIX, surgiu pela mão de David Yates, que até fez uma adaptação bastante competente. Apesar das suas diferenças, todos estes filmes têm uma coisa em comum: não conseguem atingir o patamar dos livros. O mundo de Harry Potter é surpreendente, mágico e repleto de detalhes, algo que os cinco primeiros filmes não conseguem concretizar na totalidade. Todos aqueles pormenores que Rowling soube colocar tão bem nos livros, desparecem dos filmes.

Este sexto filme, HARRY POTTER AND THE HALF-BLOOD PRINCE , foi também realizado por Yates, que deixou, definitivamente, o território infantil. Neste filme, Harry (Daniel Radcliffe) tem uma importante missão, que lhe foi confiada por Dumbledore (Michael Gambon): descobrir uma informação vital do passado de Voldemort (interpretado por Hero Fiennes-Tiffin enquanto criança e por Frank Dillane enquanto adolescente), informação detida pelo novo professor de Poções de Hogwarts, Horace Slughorn (Jim Broadbent). Mas Voldemort também confiou a um aluno uma missão: ele escolheu Draco Malfoy (Tom Felton) para ajudar os Deatheaters (Devoradores da Morte, em português) a entrar em Hogwarts e assim matar Dumbledore. Mas além de feiticeiros, as personagens principais são agora adolescentes, e como todos os adolescentes, começam a ser afectados pelas hormonas: Harry começa a apercebe-se dos seus sentimentos por Ginny Weasley (Bonnie Wright) e o mesmo acontece a Hermione (Emma Watson) em relação a Ron (Rupert Grint).

Uma coisa tenho que admitir: desta vez, Yates esforçou-se para tornar o filme um objecto independente do livro, em vez de um apêndice do mesmo. E, ao contrário do que acontecia com os anteriores, este filme é capaz de agradar bastante a quem não leu o livro. Quem leu, no entanto, percebe logo que falta aqui muita coisa. Há pormenores que falta explicar: porque é que Snape (
Alan Rickman) se auto-intitula "Half Blood-Prince", ou príncipe de meio-sangue, em português (e é importante perceber isso para se compreender a personagem)?; quais são as possíveis Horcruxes (informação que Dumbledore dá a Harry no livro e que é crucial para HARRY POTTER AND THE DEATHLY HALLOWS )?; isto só para referir dois. E a que propósito surge a cena no campo de trigo, cena essa que não está no livro e em nada contribui para o avançar da acção? A parte romântica do filme, no entanto, está bastante boa: quem não se lembra de se sentir assim quando era adolescente?

O filme é longo (cerca de duas horas e meia), muito possivelmente para incluir todos os pormenores importantes do livro. Parece-me, no entanto, que teria sido melhor ter sido feito aqui o que vai ser feito com o último livro, ou seja, dividi-lo em dois: conseguiriam ter incluído mais pormenores importantes, teria havido espaço para desenvolver melhor as personagens e, claro, teriam conseguido o dobro do lucro (acreditem, os fãs pagariam dois bilhetes).

Tecnicamente, HARRY POTTER AND THE HALF-BLOOD PRINCE é perfeito: efeitos visuais e sonoros de cortar a respiração, cinematografia irrepreensível e excelente direcção artística. A banda sonora evoluiu em relação aos filmes anteriores, está mais adequada à mudança de tom aqui presente.

Os jovens actores também evoluiram bastante desde o primeiro filme: cresceram, aprenderam e, como têm sensivelmente a mesma idade que as personagens, conseguem encarná-las perfeitamente. Os veteranos são excelentes, neste filme com destaque para Jim Broadbent, impecável no papel de Slughorn.

O filme está longe de ser perfeito, mas vale a pena ser visto. Quem é adolescente conseguirá, certamente, rever-se nestas personagens; quem já o foi, de certeza que vai sentir uma certa saudade.

domingo, 19 de julho de 2009

Crítica #19


O "Acouchement sous X " (literalmente "parto em X", querendo dizer "parto anónimo"), é uma cláusula do Direito francês que permite a uma mulher ter um filho sem ter que se identificar. A mulher entra num estabelecimento de saúde e não precisa de apresentar qualquer tipo de identificação, nem o seu nome é registado em qualquer documento. A criança é entregue para adopção e nunca ficará a saber quem é a mãe. A ideia é proteger a mãe mas, de certa forma, também a criança, uma vez que esta opção poderá ser uma forma de prevenir o aborto ou o infanticídio.

Toda esta temática é importante para este filme. Em BRODEUSES temos a história de Claire Moutiers (Lola Naymark), uma jovem que se encontra grávida de cinco meses e decide fazer uso do tal "accouchement sous X". Torna-se óbvio que não pode contar com a família e o seu emprego no Intermarché começa já a ser demasiado cansativo. Tendo um talento natural para o bordado, ela decide arranjar trabalho com Madame Mélikian (Ariane Ascaride), uma bordadeira profissional que já trabalhou com alguns dos mais conhecidos estilistas franceses. Esta senhora tem também os seus fantasmas: o seu filho e companheiro de profissão morreu recentemente num acidente de mota, deixando-a num profundo estado de depressão. Para completar a ligação, a melhor amiga de Claire, Lucile (Marie Félix), é irmã de Guillaume (Thomas Laroppe), um jovem que ia com o filho de Madame Mélikian na mota e que sobreviveu ao acidente. A relação, de início fria, entre as duas mulheres vai-se transformando com o tempo e elas encontram, tanto nos bordados como uma na outra, um porto de abrigo.

O ritmo deste filme é bastante lento e as falas são curtas. Mas tinha que ser assim, uma vez que BRODEUSES depende quase exclusivamente de uma linguagem corporal; as melhores palavras são aquelas que não são ditas: Claire a mostrar a sua proeminente barriga à mãe (Elisabeth Commelin) e esta a não se aperceber da gravidez da filha; em contraste, Madame Mélikian a perceber que Claire está grávida quando a vê pela primeira vez; a cara queimada de Guillaume, representando o seu sentimento de culpa pela morte do amigo; Madame Mélikian a pegar na mão de Guillaume, como que para o absolver dessa mesma culpa; uma das últimas cenas, em que Claire e Guillaume fazem amor.

Este filme depende pouco de efeitos especiais, mas é perfeito tecnicamente: as lindíssimas paisagens da França rural conferem uma aura intimista à história; a fotografia é perfeita; os cenários, apesar de simples, estão muito bem construídos. A banda sonora é um pouco repetitiva, mas nada de muito grave (gostei bastante da música que se ouve durante o genérico final, "J't'emmène au vent", interpretada pelo grupo francês Louise Attaque) .

O casting é perfeito: a jovem Lola Naymark, que à data de estreia do filme tinha 17 anos, está perfeita no papel da jovem Claire; Ariane Ascaride interpreta Madame Mélikian de forma assombrosa; até Thomas Laroppe consegue dar o tom certo ao atormentado Guillaume.

A vida, tal como um bordado, leva tempo e dá trabalho a ser construída. Ainda bem, pois só assim lhe poderemos dar o devido valor.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Crítica #18


Um filme histórico é sempre um risco. É preciso ser-se fiel à História mas, ao mesmo tempo, fazer com que a intriga seja interessante. Li uma frase de uma escritora de romances históricos que resume bem o que quero dizer: num romance histórico deve usar-se a ficção apenas para preencher aquilo que a História não nos diz.

THE DEVIL'S WHORE
(traduzido literalmente seria A PUTA DO DIABO mas lançado em DVD em Portugal com o título A AMANTE DO DIABO) foi transmitido originalmente como uma minissérie de 4 episódios na estação televisiva britânica Channel 4. A acção passa-se em meados do século XVII, no contexto da Guerra Civil Inglesa. A história é-nos contada sob o ponto de vista de Angelica Fanshawe (Andrea Riseborough), uma aristocrata com uma vida de privilégio. Quando ela era ainda uma criança, a sua extremamente religiosa mãe decide partir para um convento em França. A fúria apodera-se da pequena Angelica que amaldiçoa Deus e nega a sua existência; a partir desse momemto, e durante o resto da sua vida, ela vai tendo visões do Diabo, dando a crer que Deus lhe retribuiu a maldição. Com o passar dos anos, Angelica torna-se numa frequentadora regular da corte de Charles I (Peter Capaldi). No dia do seu casamento com o primo Harry (Ben Aldridge), Angelica é abordada na rua por Elizabeth Lilburne (Maxine Peake), a esposa de John Lilburne (Tom Goodman-Hill), que havia sido preso por distribuir panfletos que punham em causa a honestidade e legitimidade do rei. A partir desse momento, Angelica desperta para um mundo de injustiça e opressão que até aí lhe era completamente estranho e começa a aperceber-se que a sua realidade não é necessariamente a realidade de todos. A Guerra Civil estala e Angelica vai-se cruzando com várias figuras-chave do conflito: desde o futuro Lord Protector Oliver Cromwell (Dominic West), passando pelo idealista Thomas Rainsborough (Michael Fassbender) e pelo ambíguo Edward Sexby (John Simm). 

Longe de ser um documento histórico, THE DEVIL'S WHORE consegue ser um filme histórico bastante plausível. Os acontecimentos históricos mais marcantes são contados com bastante realismo e uma enorme atenção aos detalhes. 

Depois de derrubar o rei, Cromwell decide tomar o país para si, tornado-se igual àquilo que quis destruir. Vemos que o poder e o dinheiro falam mais alto que a consciência: quando Cromwell sobe ao poder, muitos dos que estavam do lado do rei, passam a obedecer cegamente ao agora líder. Lilburne e Rainsborough, pelo contrário, acreditam na igualdade entre os cidadãos ingleses, achando que a riqueza deveria ser distribuida igualmente por todos, uma utopia que muitos na época tentaram concretizar ao partir para o Novo Mundo, a América, a verdadeira Terra Prometida (que, aliás, é referida várias vezes). Temos também um retrato da condição da mulher na Inglaterra do século XVII, que era vista como alguém que tem que estar ao serviço dos homens em tudo (fosse na cozinha ou na cama): quando Angelica mata um homem que a queria violar, passa a ser conhecida como a "devil's whore" do título, uma mulher promíscua e maléfica (nessa altura, as suas visões do diabo são referidas como prova destas acusações).

Tecnicamente, o filme é perfeito: desde a fotografia, que capta de forma impressionante o ambiente soturno da época; passando pelo guarda-roupa, a montagem e os cenários. Também a banda sonora é excelente. 

O casting é bastante acertado: Andrea Riseborough, Dominic West, Tom Goodman-Hill e Michael Fassbender estão muito bons nos seus papéis. Mas o destaque vai, sem dúvida, para John Simm; ele retrata a sua personagem de forma impecável, num misto de coragem, paixão e culpa.

Nas suas 3 horas de duração, THE DEVIL'S WHORE ensina-nos uma importante lição sobre o poder e a ambição: é mais fácil do que parece imitarmos os tiranos que detestamos. República ou monarquia, ambas estão sujeitas a serem corrompidas pela falta de consciência.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

E se as mudanças tivessen sido feitas antes...


Se as mudanças nas nomeações para o Óscar de Melhor Filme tivessem sido feitas há alguns anos atrás, que filmes poderiam ter sido nomeados? Podem ver as sugestões aqui.

sábado, 27 de junho de 2009

Novidades nos Óscares


Na próxima cerimónia dos Óscares poderemos contar com duas novidades: uma na categoria de Melhor Filme, outra na de Melhor Canção Original.

Na primeira, o número de nomeados passará a ser 10, em vez dos 5 que tinhamos até hoje. Já foi assim nas primeiras 16 cerimónias dos Óscares, tendo essa tradição sido descontinuada. Trata-se de uma clara tentativa de despertar o interesse de mais telespectadores, pois se puderem nomear 10 filmes haverá uma maior probabilidade de nomearem sucessos de bilheteira. Não concordo com esta medida que, na minha opinião, só vai fazer com que a qualidade dos nomeados desça cada vez mais.

Na segunda, poderá nem haver nomeações. A partir de agora um painel de especialistas da academia atribuirá uma pontuação a cada canção candidata. Apenas as canções com uma pontuação média de, no mínimo, 8.25 serão nomeadas. Se isso não acontecer com nenhuma, a categoria não existirá nesse ano. Se acontecer apenas com uma, apenas essa e a com a maior pontuação seguinte serão nomeadas. Esta medida já me parece mais lógica, uma vez que fará com que os compositores tenham mais cuidado com as canções que criam.

As nomeações para a 82ª cerimónia dos Óscares serão anunciadas no dia 2 de Fevereiro de 2010, tendo a cerimónia lugar a 7 de Março do mesmo ano. Será mais tarde que o costume para não coincidir com os Jogos Olímpicos de Inverno
, que terão lugar de 12 a 28 de Fevereiro.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Crítica # 17


Heidi Fleiss tornou-se famosa em 1997, quando foi descoberta a sua ligação a uma rede de prostituição de luxo. Ela fornecia prostitutas a homens das mais altas esferas como actores, empresários, atletas e até a membros da realeza de países árabes. No mesmo ano foi condenada a 37 meses (3 anos e 1 mês) de prisão, tendo cumprido apenas 21 (1 ano e 9 meses). O facto de ter conseguido manter o seu negócio durante tanto tempo, ter ficado milionária à custa dele e ter tido como clientes alguns dos homens mais famosos do mundo chamou à atenção dos média e do público.
 
Este filme foi exibido no dia 29 de Março de 2004, na estação televisiva norte-americana USA Network. Como o próprio título do filme dá a entender, temos aqui relatadas a ascensão e a queda de Heidi Fleiss (Jamie-Lynn Sigler). Fleiss entra no mundo da prostituição através do realizador Ivan Nagy (Robert Davi), com quem teve uma relação. Ela aprende todos os truques da profissão com a "madame" (nome dado à mulher que gere uma rede de prostituição) Alex (Brenda Fricker), para quem trabalha. Quando Alex é presa, Heidi rouba-lhe o negócio. Ao longo de anos ela recruta dezenas de raparigas e consegue angariar vários clientes, tornando-se famosa pela qualidade dos seus serviços e pela sua discrição. Mas tal como a polícia de Los Angeles andava atrás de Alex, também anda atrás de Heidi, com destaque para o sargento Willeford (Ian Tracey), um polícia corrupto que a chantageia quando ela se recusa a dar-lhe informações sobre os seus clientes.

Apesar de ser difícil saber o que é realidade e o que é ficção, CALL ME: THE RISE AND FALL OF HEIDI FLEISS (com a péssima tradução portuguesa de MADAME HOLLYWOOD) apresenta os acontecimentos que involvem Fleiss de uma forma bastante verosímil. Peca apenas pela rapidez com que passa por determinadas fases. Por exemplo, a cena inicial, que nos mostra brevemente a infância de Heidi, dá-nos a entender o porquê de ela ser como é: teve um pai (Saul Rubinek) que a educou sem limites nem castigos, o que a levou a fazer de tudo sem nunca pensar nas consequências; mas seria preciso saber mais alguma coisa. Também não sabemos quase nada da vida de Heidi entre a infância e a sua entrada no mundo da prostituição, o que seria importante para compreender determinados aspectos do seu carácter.

No que diz respeito ao casting, parece-me que foi bastante acertado. Foram escolhidos actores que além de interpretarem bem as personagens, são fisicamente parecidos com elas (a semelhança entre Jamie-Lynn Sigler e Heidi Fleiss é espantosa). 

O mundo da prostituição de luxo é mostrado ao pormenor: um mundo onde ninguém é amigo de ninguém e todos se movem num círculo de interesses. Quando Heidi está a ser julgada, ninguém, nem mesmo os seus supostos amigos, testemunha a seu favor. No final o círculo continua: tal como Heidi roubou o negócio a Alex, Lauren (Emmanuelle Vaugier), uma prostituta envolvida na rede, rouba o negócio a Heidi. Como a própria Heidi diz no fim, a profissão mais antiga do mundo não é a prostituição, mas sim a traição.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Crítica #16

CONFESSIONS OF A SHOPAHOLIC (2009), de P.J. Hogan

Uma comédia não tem necessariamente que ser um filme muito inteligente. Existem comédias divertidíssimas que não pretendem ser mais do que aquilo que são: um filme para fazer rir, sem pensar muito; que pretende desanuviar a cabeça e proporcionar ao espectador um momento bem passado. Nada contra esse tipo de filmes. Muito pelo contrário, sabe bem vê-los. Há também aquelas comédias que fazem rir, mas têm algo mais para além do divertido; têm inteligência no humor. Esse tipo de filmes é do mais difícil de se fazer (e de encontrar). E depois há aqueles filmes que querem ser inteligentes mas não conseguem. E esses falham nos dois campos: não conseguem ser uma comédia inteligente mas também não conseguem ser uma comédia "estúpida" (faltando uma palavra melhor). Infelizmente, é nesta última categoria que CONFESSIONS OF A SHOPAHOLIC se encaixa.

LOUCA POR COMPRAS é baseado no livro
THE SECRET DREAMWORLD OF A SHOPAHOLIC, da escritora britânica Sophie Kinsella (pseudónimo de Madeleine Wickham). Rebecca Bloomwood (Isla Fisher) é uma consumidora compulsiva que acumulou uma enorme dívida nos cartões de crédito. Desesperada com a falta de dinheiro, ela consegue arranjar emprego na revista Successful Saving, onde, ironicamente, aconselha os leitores sobre a melhor forma de gerirem as suas finanças. Ela acaba por ser um sucesso com os leitores e capta a atenção do editor da revista, o charmoso e simpático Luke Brandon (Hugh Dancy). Mas este emprego não é suficiente para parar a sua obsessão por compras e a dívida acumula-se pondo em risco, inclusive, a relação de Rebecca com a melhor amiga, Suze (Krysten Ritter).
 
É evidente aquilo que CONFESSIONS OF A SHOPAHOLIC pretende ser: uma comédia genuína misturada com uma reflexão séria sobre como os gastos desnecessários podem ser uma forma de atenuar a solidão (a uma dada altura do filme, Rebecca diz algo como "Ao contrário de um homem, uma loja nuna te vai deixar, nunca te vai desiludir."). E se é bem sucedido no primeiro aspecto (há momentos bastante divertidos), não o é totalmente no segundo; apesar de criar uma certa empatia com Rebecca, não explica totalmente porque é que ela se refugia nas compras (como outras mulheres se refugiam na comida, no sexo ou em tantas outras coisas), aquilo que faz com que comprar seja a única forma de se sentir bem. A relação de Rebecca com o chefe é um ponto interessante da história, mas podia estar mais desenvolvida.

Há, no entanto, pontos positivos. O elenco foi muito bem escolhido, todos entram muito bem nas suas personagens. A cinematografia está também muito boa. E a banda sonora é excelente e bem adequada ao filme.

CONFESSIONS OF A SHOPAHOLIC poderia ter sido um excelente filme, uma excelente comédia "inteligente". O problema é que existem aqui tantas ideias, tantas coisas a serem ditas, que nenhuma delas é bem explicada. É, de facto, uma pena.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Crítica #15



Em primeiro lugar, permitam-me um pequeno desabafo que diz respeito não só a este filme, mas a uma tendência deveras curiosa que tenho vindo a verificar. Tem a ver com a tradução dos títulos dos filmes para português. Como já repararam, no caso específico deste filme, alguém decidiu que a melhor tradução do título seria colocar um travessão à frente do título original e só de seguida a tradução propriamente dita. E a minha pergunta é: porquê? Porque é que quem traduz os títulos acha necessário colocar o título original seguido da tradução, quando haveria duas soluções muito melhores (ou simplesmente não traduziam o título e deixavam o filme com o título original, THE INTERNATIONAL ou chamavam-lhe simplesmente A ORGANIZAÇÃO, o que não lhe tirava qualquer sentido)? Não é a primeira vez que isto acontece, aliás podemos vê-lo com alguns filmes actualmente em exibição nas salas portuguesas: INKHEART- CORAÇÃO DE TINTA (porque não só CORAÇÃO DE TINTA?), LA CAJA- QUATRO MULHERES E UM MORTO (mais uma vez, porque não só a segunda parte do título?) , THIS IS ENGLAND- ISTO É INGLATERRA (será que a primeira parte do título faz falta?) e WATCHMEN- OS GUARDIÕES (aqui até compreendo que apenas OS GUARDIÕES talvez não fosse um título muito apelativo, mas havia outras soluções: A- Deixar apenas o título original, THE WATCHMEN, B- Arranjar uma tradução melhor, o que, admito, talvez não fosse muito fácil). Não é novidade qua a tradução dos títulos de filmes (e livros, já agora) para português deixa, por vezes, bastante a desejar (lembro a tradução de SLUMDOG MILLIONAIRE para QUEM QUER SER BILIONÁRIO?, reconhecendo, no entanto, que se foi esta a tradução do título do livro no qual o filme se baseia, é lógico que seja esta a tradução do título do filme; aqui, ao menos, houve coerência), mas esta solução é a pior, ou se traduz ou não se traduz o título; não me parece que optar por uma solução 50-50 seja o melhor. Não quero, no entanto, generalizar: muitas das vezes o título é bem traduzido. Também não gostaria que interpretassem este meu desabafo como um insulto: trata-se apenas de uma opinião, nada mais que isso. Bem, acabado o desbafo, passemos ao filme.

Louis Salinger (
Clive Owen), um agente da Interpol e Eleanor Whitman (Naomi Watts), uma advogada do equivalente americano ao Ministério Público, já há muito que trabalham em conjunto para derrubar um dos bancos mais poderosos do mundo o IBCC (International Bank of Business and Credit: Banco Internacional de Negócios e Crédito), que está envolvido em várias actividades ilícitas como lavagem de dinheiro, tráfico de armas e destabilização de vários governos. Esta investigação leva-os de Nova Iorque a Berlim, Milão e Instambul. Os responsáveis pelo IBCC não conhecem limites: mandam assassinar Umberto Calvini (Luca Barbareschi) o candidato a primeiro-ministro italiano, detentor de informações explosivas; tentam fazer o mesmo com Whitman; matam o assassino que contrataram para matar Calvini quando Salinger está prestes a apanhá-lo e tentam, por várias vezes, neutralizar Salinger quando se apercebem que ele está cada vez mais perto de os derrubar.

A crise económica que se vive actualmente torna este filme particularmente relevante; a crise existe, em grande parte, devido à corrupção da alta finança que, muitas vezes, se torna incompreensível para os cidadãos comuns, mas tem consequências devastadoras no nosso dinheiro. São os bancos e as mais altas instituições financeiras os principais responsáveis por estarmos no pé em que estamos. E como o filme deixa bem claro, isto nunca terá fim: podemos derrubar um banco, ou o dono de um banco, como Salinger faz com Jonas Skarssen (
Ulrich Thomsen), o dono do IBCC, mas haverá sempre outros.

A dupla protagonista proporciona ao espectador uma interpretação muito convincente: Owen mostra que, de facto, é neste tipo de filmes (Acção/Suspense) que se sente mais à vontade; Watts vem mostrar que há poucos papéis que não consiga fazer. Também os secundários são bastante bons: desde Ulrich Thomsen, no papel do corrupto dono do IBCC; passando por Luca Barbareschi como candidato a primeiro ministro italiano até
Armin Mueller-Stahl como Wilhelm Wexler, um dos colaboradores de Skarssen que procura redenção. Há ainda que destacar a excelente cinematografia de Frank Griebe, a banda sonora de Reinhold Heil, Johnny Klimek e Tom Tykwer, assim como a direcção artística liderada por Kai Koch. A melhor cena é, sem dúvida, o tiroteio no Museu Guggenheim de Nova Iorque (podem ver a cena aqui). Apenas uma crítica: não sei se devido ao argumento ou à montagem, a história torna-se por vezes, difícil de seguir.

Um filme com um conceito interessante, mas que peca por incluir cenas que se tornam confusas e que seriam dispensáveis.

domingo, 12 de abril de 2009

Crítica #14


Um dos grandes desafios do cinema é, na minha opinião, adaptar um livro ao grande ecrã. É necessário manter a fidelidade ao texto mas, ao mesmo tempo, criar algo de novo. Lembro-me de, há já alguns anos, ir ao cinema com uma amiga ver um filme adaptado de um livro que tinha sido um estrondoso sucesso a nível mundial (não vou nomear o livro, mas se calhar já estarão a ter uma ideia...). Eu tinha adorado o livro e gostei bastante do filme; a minha amiga não conhecia a história e não percebeu a razão de tanto sucesso. E eu percebi porquê: o filme foi criado para aqueles que leram o livro, como uma espécie de apêndice ao livro. E não estava mau, mas faltava-lhe ter as pequenas coisas que me fizeram apaixonar pelo livro. E é esse o problema com muitas das adaptações de livros ao cinema: os filmes são feitos tendo em mente aqueles que já conhecem a história, quando deveriam ser feitos para aqueles que não sabem absolutamente nada sobre ela.

E é então que chegamos ao filme de que quero falar. BRIDGE TO TERABITHIA foi adaptado do romance de Katherine Paterson, publicado em 1977. Jess Aarons (Josh Hutcherson) é um rapaz tímido e indaptado, praticamente ignorado pelos pais e constantemente humilhado na escola cujo único refúgio é fazer desenhos em folhas de papel, para os quais ele tem um talento nato. Um dia a escola que Jess frequenta recebe uma aluna nova, Leslie Burke (AnnaSophia Robb), uma rapariga também solitária mas com uma visão optimista da vida e uma enorme imaginação. Vendo em Jess alguém com quem se poderá identificar e admirando o seu talento para o desenho ela decide aproximar-se dele e tentar criar uma relação de amizade. A princípio resistente, Jess acaba por se deixar contagiar com a alegria de Leslie e os dois refugiam-se num cantinho escondido numa pequena floresta que só eles conhecem. Aí imaginam um mundo mágico, Terabithia mundo esse só assecível aos dois e onde enfrentam os desafios da vida real.

À primeira vista, este pode parecer um filmezinho para crianças, um daqueles filmes que os pais acham ser o ideal para levarem os filhos a ver ao cinema. Apesar do principal público alvo ser, de facto, o infanto-juvenil (afinal de contas, é um filme da Disney), BRIDGE TO TERABITHIA vai um pouco mais além. Leva-nos a pensar quando foi que perdemos a capacidade de sonhar, quando foi que perdemos a capacidade de imaginar. A criação de um mundo só deles leva estas duas crianças a ganharem coragem para enfrentar os problemas que os esperam quando de lá saem, eles encontram um no outro a confiança que até aí não tinham.

Eu nunca li o livro no qual este filme se baseia. Na verdade, enquanto estava a ver o filme, nem sequer fazia a menor ideia de que se tratava da adaptação de um livro. E apaixonei-me pelo filme. O que prova o que eu dizia no início deste post: BRIDGE TO TERABITHIA foi feito para aqueles que não conheciam a história, e não falhou. Mesmo sem ter lido o livro, o filme tocou-me profundamente. Chamem-me infantil, chamem-me criança. Não me importo. Esta maravilha do cinema é algo que todas as crianças deviam ver e que só faz bem aos adultos.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Crítica #13


Definição retirada do dicionário da Língua Portuguesa: " Obra-prima- s. f. primor de arte; obra perfeita; a primeira obra do seu género.". GRAN TORINO é um exemplo perfeito da primeira e segunda partes desta definição.

Comecemos pela história do filme. Walt Kowalski (
Clint Eastwood) é um veterano da Guerra da Coreia e funcionário reformado da Ford que vive com a sua cadela Daisy (uma Labrador Retriever) num pequeno bairro no estado do Michigan. Ele não vê com bons olhos o facto de a maioria dos habitantes do bairro serem agora Hmongs, uma etnia do sudeste asiático. Quando o filme começa, estamos no funeral da mulher de Walt e ele não gosta do sermão sem graça do jovem padre Janovich (Christopher Carley) nem do comportamento dos filhos Mitch (Brian Haley) e Steve (Brian Howe), assim como das respectivas famílias, que demonstram uma enorme falta de respeito pela memória da falecida, ficando claro que apenas estão interessados nos bens materiais que Walt lhes poderá um dia deixar. Walt vê-os como sendo mal-educados, mimados e egocêntricos.

Na casa ao lado da de Walt vive uma família Hmong, os Vang Lor, que consiste nos adolescentes Thao (
Bee Vang) e Sue (Ahney Her) assim como na mãe de ambos Vu (Brooke Chia Thao) e na avó (Chee Thao). Thao é constantemente atormentado por um gangue Hmong, liderado pelo seu primo Spider (Doua Moua), que insiste que o jovem se junte a eles. A iniciação consiste em roubar o carro de Walt, um Ford Gran Torino Sport de 1972 (e é o carro que dá o título ao filme). Walt apanha-o no acto e o rapaz foge. O gangue volta a importuná-lo, tentando força-lo mais uma vez a juntar-se a eles, mas Walt afugenta-os com a sua espingarda. Isso faz com que a família Vang Lor fique imensamente grata a Walt e Thao passe a trabalhar para ele. Ao conhecer melhor o rapaz e a família dele, Walt percebe que tem mais em comum com aquelas pessoas do que com a sua própria família, e entre os dois nasce uma improvável, mas muito sincera amizade.
Cada momento do filme, cada fala, cada expressão, cada silêncio, cada imagem são colocados no momento certo, da forma certa, sem a mínima falha. Clint Eastwood, que é também o realizador, tem aqui um dos seus melhores papeis, dando a Walt uma dimensão difícil de superar. É de salientar também que nenhum dos actores Hmongs (com a excepção de Doua Moua) tinha qualquer experiência cinematográfica, o que é surpreendente, tendo em conta as excelentes interpretações de Bee Vang e Ahney Her, dois talentos a manter debaixo de olho.

Sem o mínimo de condescedência pela comunidade Hmong, Eastwood-realizador trata-os com imenso respeito, dando-nos a conhecer a sua cultura e os seus costumes. Como Walt vai observando, estas pessoas têm um enorme respeito pela família, pelos mais velhos, pelos vizinhos e pelo sentido de comunidade. A relação que ele estabelece com Thao e Sue, faz-lhe ver aquilo que realmente é importante e aquilo pelo que vale a pena lutar.


É interessante ver que aqui os "inimigos" não estão nas outras etnias: os filhos e netos de Walt não passam de uns interesseiros, mas a família Hmong demonstra-lhe uma enorme gratidão e respeito; o gangue que atormenta Thao é constituído por jovens Hmongs, mas todas as outras pessoas de outras etnias com quem se vai cruzando tratam-no como um igual. Eastwood parece estar a querer dizer-nos que o respeito pelo próximo não deve residir naquilo que está por fora, mas naquilo que conseguimos ver por dentro quando damos ao trabalho de nos aproximar. O título do filme faz todo o sentido: é o Ford Gran Torino Sport, o típico carro americano, que une todas as personagens, que apesar das suas diferenças são, no fundo, todos americanos. A belíssima cena final do filme está carregada de simbolismo: Thao a conduzir o Gran Torino, que Walt nunca havia emprestado a ninguém. Como disse no início: GRAN TORINO é uma verdadeira obra-prima e, sem dúvida, o melhor filme que vi este ano. Fiquemos com a belíssima música que se ouve durante o genérico final: "
Gran Torino", na voz de Jamie Cullum.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Os Óscares

Não errei por muito. Na verdade, foi uma noite sem grandes surpresas. A única grande surpresa, na minha opinião, foi o Óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira, que não foi nem para o filme israelita VALS IM BASHIR, nem para o francês ENTRE LES MURS, como seria de esperar, mas sim para o japonês OKURIBITO, um filme que, para já, não estreou no nosso país (e não sei se estreará).

Bem, para o ano há mais. Entretanto vou dando a minha opinião sobre alguns filmes que vão aparecer este ano, e outros que veja em DVD ou na TV.

Fiquem bem.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Previsões para os Óscares


Que fique bem claro: estes são os filmes que eu acho que vão ganhar nas principais categorias, mas não são necessariamente as minhas preferências (até porque não vi todos os filmes nomeados). Aqui vão as minhas previsões nas principais categorias:

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
- SLUMDOG MILLIONAIRE é o claro favorito mas THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON, também tem algumas hipóteses.

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
- Aqui aposto em WALL·E
, mas MILK ou até mesmo HAPPY-GO-LUCKY também podem levar a estatueta.

MELHOR FILME DE LÍNGUA ESTRANGEIRA
- VALS IM BASHIR
é o vencedor mais provável, com ENTRE LES MURS a correr logo atrás.

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
-
WALL·E, vai, sem dúvida, vencer nesta categoria (mais uma estatueta para a Pixar).

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
- Heath Ledger
(THE DARK KNIGHT) recebe a estatueta postumamente, isso é praticamente garantido.

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
- Penélope Cruz
(VICKY CRISTINA BARCELONA) é a clara favorita.

MELHOR ACTOR
- Mickey Rourke
(THE WRESTLER) parece liderar a corrida, com Sean Penn (MILK) logo atrás.

MELHOR ACTRIZ
- Depois de tantas nomeações nos últimos anos, é desta que Kate Winslet
(THE READER) leva o Óscar para casa.

MELHOR REALIZADOR
- Danny Boyle
(SLUMDOG MILLIONAIRE) é o claro favorito.

MELHOR FILME
- SLUMDOG MILLIONAIRE é o tipo de filme que a Academia adora, e, como tal, prevejo que saia vencedor nesta categoria. Mas pode haver surpresas...


Resta-nos agora esperar pela madrugada de Domingo para Segunda para saber se acertei nas previsões. Parece-me que não devo andar muito longe...