segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Crítica #9

KUNG FU PANDA, de Mark Osborne e John Stevenson

Tive um professor na Faculdade que me disse que todas as histórias que haviam para contar já foram contadas, só mudam os métodos. Ver este filme reforçou, na minha mente, essa ideia.

Comecemos pela história. O protagonista é o
panda-gigante Po (voz original de Jack Black) que trabalha no restaurante do seu pai ganso, Ping (James Hong), especializado em confeccionar pratos com massa que fazem as delícias dos seus clientes. Porém, Po tem o sonho de lutar ao lado das estrelas do Kung-Fu que tanto admira, apesar do seu peso e falta de jeito. O Mestre tartaruga Oogway (Randall Duk Kim) tem uma premonição em que o terrível leopardo-das-neves Tai Lung (Ian McShane), o antigo aprendiz do actual mestre de Kung-Fu, o panda-vermelho Shifu (Dustin Hoffman), conseguirá escapar da prisão onde está há vinte anos. Perante o perigo eminente que a fuga de Tai Lung representa, Shifu convoca uma cerimónia para escolher o Guerreiro Dragão, que, segundo a lenda, é o único que o poderá deter. Todos pensam tratar-se de um dos “Furious Five” (“Cinco Furiosos”)- a Tigre-do-sul-da-China Tigress (Angelina Jolie), o louva-a-deus Mantis (Seth Rogen), o macaco-dourado Monkey (Jackie Chan), o grou-da-Manchúria Crane (David Cross) e a víbora verde Viper (Lucy Liu)- um quinteto habilidoso treinado por Shifu. Mas Oogway acaba por escolher Po, que, literalmente, cai do céu ao tentar entrar na arena para assistir à cerimónia. Po fica incrédulo e Shifu tenta livrar-se do panda. Entretanto, Tai Lung consegue, de facto, fugir da prisão e vai ao encontro de Shifu para recuperar o lugar de Guerreiro Dragão que achava ter-lhe sido roubado. Oogway, antes de morrer e ascender aos céus, pede a Shifu que confie em Po e o treine. Os “Furious Five” resolvem deter Tai Lung, mas todos os seus esforços são em vão. Shifu resolve dar uma oportunidade a Po, descobrindo que o panda até tem talento para o Kung-Fu quando é estimulado com comida. O vilão chega ao seu destino e luta primeiro com Shifu e depois com Po, que o consegue vencer.

A moral da história é simples: se acreditarmos em nós próprios e nas nossas capacidades, conseguiremos sempre atingir os nossos objectivos; se acreditarmos que um erro do passado pode sempre ser corrigido, conseguimos corrigi-lo. Isto demonstra o que disse no início deste post: esta história já foi contada inúmeras vezes. O que muda é a forma de a contar, e nisso KUNG FU PANDA é muito original. As personagens são muito interessantes, o argumento está bem escrito (fugindo a clichés e criando gags muito bem conseguidos) e os efeitos visuais são irrepreensíveis. A escolha dos actores que dão as vozes às personagens na versão original também não poderia ser melhor (Po parece ter sido concebido para a voz de Jack Black, que está fenomenal no papel do panda-gigante). Mas, sem dúvida, aquilo que mais me cativou no filme foi a banda sonora de Hans Zimmer e John Powell, perfeitamente adaptada ao estilo de filme e à história, sempre com o ritmo certo na altura certa.

Devo dizer que este filme me surpreendeu pela positiva: estava à espera de um filmezinho de animação com uma historiazinha sem graça e personagens sem sal. KUNG FU PANDA é divertido, original e absolutamente delicioso, demonstrando definitivamente que a Dreamworks consegue, quando quer, estar à altura da Pixar no que diz respeito à animação digital.

Este filme foi nomeado para o Globo de Ouro de Melhor Filme de Animação, perdendo para WALL·E. Está agora nomeado para um Óscar na mesma categoria .

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Crítica #8


A acção de CHANGELING passa-se nas décadas de 20 e 30, mas é surpreendentemente actual. Os temas que aborda e a forma como o faz são de uma proximidade assustadora. Se a tudo isto juntarmos o facto de recriar factos verídicos, será muito difícil ficar-lhe indiferente. Na verdade, a acção do filme é constituída por duas histórias, que acabam por se cruzar.

Comecemos pela primeira. Estamos em Los Angeles, em 1928. Christine Collins (Angelina Jolie) criou o seu filho, Walter (Gattlin Griffith), de 9 anos, sozinha e aquela criança é a sua razão de viver. Um dia, quando chega do emprego, o menino havia desaparecido. Desesperada, procura-o por toda a parte, comunicando, mais tarde, o seu desaparecimento à polícia. Alguns meses mais tarde, recebe a visita do chefe do Departamento de Menores da Polícia de Los Angeles, o Capitão J. J. Jones (Jeffrey Donovan), que lhe comunica que Walter foi encontrado vivo. A princípio aliviada, Christine depressa percebe que o rapaz que lhe foi entregue não é o seu filho, confrontando Jones com as discrepâncias físicas entre os dois e pedindo-lhe que continue as buscas. Mas a polícia de Los Angeles, que já há muito enfrenta acusações de corrupção, não está disposta a admitir que se enganou, e apesar das óbvias provas em contrário, insiste que a criança encontrada é Walter Collins e que Christine não o reconhece devido às supostas situações traumáticas vividas pelo menino. Sem alternativa, Christine recorre aos jornais para expor a sua situação, sempre com a ajuda do Reverendo Gustav Briegleb (John Malkovich), que já há muito se dedica a desmascarar a corrupção policial. Por ousar enfrentar a polícia, Christine é internada numa instituição para doentes mentais, onde o médico responsável, o Dr. Jonathan Steele (Denis O'Hare) a avisa que só de lá sairá quando admitir que aquela criança é Walter e que a polícia não se enganou, o que ela recusa fazer. Carol Dexter (Amy Ryan), uma outra paciente, explica-lhe que há várias mulheres internadas naquela instituição por ousarem enfrentar a polícia, incluindo ela própria.

E aqui entramos na segunda história. O detective Lester Ybarra (Michael Kelly) é destacado para ir a um rancho em Wineville, uma pequena localidade a poucos quilómetros de Los Angeles, com o objectivo de tratar da deportação de um adolescente de 15 anos, Sanford Clark (Eddie Alderson), para o Canadá. O que o jovem lhe conta é, no mínimo, macabro: ele vivia no rancho com o seu tio, Gordon Northcott (Jason Butler Harner), que o obrigou a ajudá-lo a raptar e matar aproximadamente 20 rapazes, entre os quais Walter Collins. A história é confirmada quando Ybarra regressa ao rancho acompanhado por dois colegas e encontra os corpos.

Aqui cruzam-se as duas histórias: Christine é libertada e o escândalo explode, destruindo a já frágil reputação da polícia de Los Angeles. Northcott é apanhado no Canadá, julgado e condenado à morte por enforcamento. O rapaz que se fez passar pelo filho de Christine era afinal Arthur Hutchins (Devon Conti) e só queria vir para Los Angeles para se encontrar com o seu actor preferido, tendo mais tarde sido instruído pela polícia para fingir ser Walter.

Em 1935, David Clay (Asher Axe), um dos rapazes que se pensava terem sido assassinados, aparece vivo. Ele conta à polícia como, numa noite, ele próprio, Walter e um outro rapaz, conseguiram fugir do galinheiro onde Northcott os mantinha presos, separando-se de seguida. Esta informação dá a Christine a esperança de que o seu filho ainda possa estar vivo.

À primeira vista este parece ser um tipo de filme estranho de ser realizado por Clint Eastwood. Mas o resultado é brilhante. A fotografia é fenomenal, recriando ao pormenor a Los Angeles dos anos 20 e 30. A esse nível, posso também elogiar o guarda-roupa e a caracterização das personagens. O argumento está muito bem escrito, colocando cada cena no sítio certo e intercalando as duas histórias de forma muito eficaz. A banda sonora parece-me ser um pouco repetitiva, mas nada que o espectador não consiga ultrapassar.

Quanto às interpretações, devo dizer que foram escolhidos os actores certos para os papéis certos. Jeffrey Donovan (que eu apenas conhecia da série da FOX, BURN NOTICE) está excelente na pele do corrupto capitão Jones; John Malkovich está perfeito como o Reverendo Briegleb, o homem que quer, a todo o custo, expor a polícia de Los Angeles como o bando de corruptos que são; Amy Ryan, apesar da sua breve participação, cativa o telespectador no papel de Carol Dexter, a prostituta que ousa apresentar queixa de um polícia que a havia agredido; Jason Butler Harner é fabulosamente odioso como o assassino psicopata, que mata pelo puro prazer de matar. Mas a estrela do filme é, sem dúvida, Angelina Jolie: ela está soberba na pele da sofrida Christine Collins, a mãe que enfrenta a polícia não para expor a corrupção, não para fazer política, mas, única e simplesmente, para recuperar o seu filho. Se o Óscar de Melhor Actriz Secundária que lhe foi atribuído em 1999 pelo filme GIRL, INTERRUPTED não fosse suficiente para provar a sua qualidade como actriz, este filme é-o com certeza.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Nomeações para os Óscares

Aqui está o número de nomeações obtido por cada filme (sem contar com as curta-metragens):
- VICKY CRISTINA BARCELONA
- The Visitor 


Para saberem quais as nomeações para cada filme e para cada categoria vão aqui (se as quiserem ver em português) ou aqui (se as quiserem ver em inglês). Há algumas surpresas. Vou dar-vos os meus palpites e preferências uns dias antes da cerimónia. Até lá, vou comentar mais filmes, alguns dos quais estão na lista de nomeações.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A minha ausência e os óscares

Quero pedir desculpa pela minha ausência. Podia inventar várias desculpas para não ter escrito no blogue, mas o motivo é só um... preguiça. Sei também que prometi fazer uma crítica a todos os pré-nomeados para o Óscar de Melhor Filme de Animação. Lamento, mas isso não vai acontecer, principalmente porque não os consegui encontrar a todos e os que consegui não vi (já viram neste blogue a crítica a dois: MADAGASCAR: ESCAPE 2 AFRICA e BOLT).

Agora só vou escrever neste blogue quando forem anunciadas as nomeações para os Óscares, o que vai acontecer no dia 22 deste mês. Eu tenho alguns palpites sobre os filmes que vão ser nomeados... Estejam atentos, entretanto, aos Globos de Ouro, pois parece-me que a diferença de nomeações entre estes e os Óscares não vai ser muita.

Umas dica: estejam atentos a filmes como REVOLUTIONARY ROAD, FROST/NIXON, MILK, THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON, THE WRESTLER, VICKY CRISTINA BARCELONA, RACHEL GETTING MARRIED, HAPPY-GO-LUCKY, IL Y A LONGTEMPS QUE JE T'AIME, SLUMDOG MILLIONAIRE, THE READER, VALS IM BASHIR, DOUBT e GRAN TORINO, que hão-de estrear em Portugal em este mês ou no próximo (alguns, se calhar, já depois da cerimónia dos Óscares).

Despeço-me para já, e até dia 22...