segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Os Óscares

Não errei por muito. Na verdade, foi uma noite sem grandes surpresas. A única grande surpresa, na minha opinião, foi o Óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira, que não foi nem para o filme israelita VALS IM BASHIR, nem para o francês ENTRE LES MURS, como seria de esperar, mas sim para o japonês OKURIBITO, um filme que, para já, não estreou no nosso país (e não sei se estreará).

Bem, para o ano há mais. Entretanto vou dando a minha opinião sobre alguns filmes que vão aparecer este ano, e outros que veja em DVD ou na TV.

Fiquem bem.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Previsões para os Óscares


Que fique bem claro: estes são os filmes que eu acho que vão ganhar nas principais categorias, mas não são necessariamente as minhas preferências (até porque não vi todos os filmes nomeados). Aqui vão as minhas previsões nas principais categorias:

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
- SLUMDOG MILLIONAIRE é o claro favorito mas THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON, também tem algumas hipóteses.

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
- Aqui aposto em WALL·E
, mas MILK ou até mesmo HAPPY-GO-LUCKY também podem levar a estatueta.

MELHOR FILME DE LÍNGUA ESTRANGEIRA
- VALS IM BASHIR
é o vencedor mais provável, com ENTRE LES MURS a correr logo atrás.

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
-
WALL·E, vai, sem dúvida, vencer nesta categoria (mais uma estatueta para a Pixar).

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
- Heath Ledger
(THE DARK KNIGHT) recebe a estatueta postumamente, isso é praticamente garantido.

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
- Penélope Cruz
(VICKY CRISTINA BARCELONA) é a clara favorita.

MELHOR ACTOR
- Mickey Rourke
(THE WRESTLER) parece liderar a corrida, com Sean Penn (MILK) logo atrás.

MELHOR ACTRIZ
- Depois de tantas nomeações nos últimos anos, é desta que Kate Winslet
(THE READER) leva o Óscar para casa.

MELHOR REALIZADOR
- Danny Boyle
(SLUMDOG MILLIONAIRE) é o claro favorito.

MELHOR FILME
- SLUMDOG MILLIONAIRE é o tipo de filme que a Academia adora, e, como tal, prevejo que saia vencedor nesta categoria. Mas pode haver surpresas...


Resta-nos agora esperar pela madrugada de Domingo para Segunda para saber se acertei nas previsões. Parece-me que não devo andar muito longe...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Crítica #12

DOUBT, de John Patrick Shanley

Nunca se ouviu falar tanto de pedofilia como nos últimos anos. O escândalo Casa Pia trouxe esta realidade aos olhos dos portugueses, que, ingenuamente, pensam tratar-se de um fenómeno relativamente recente. E a ideia de que "dantes não acontecia nada disto", não podia ser mais errada. A única coisa que mudou foi o facto de o poder da comunicação social ter crescido imensamente nos últimos anos. Para dizer de outra forma: agora estas coisas sabem-se, dantes não se sabiam (ou, se se sabiam, eram sistematicamente abafadas). E o que tem isto tudo a ver com DOUBT? Muito. 

John Patrick Shanley escreveu a peça homónima no qual DOUBT é baseado e é também ele o realizador e o argumentista deste filme. A acção passa-se em 1964, no Bronx, em Nova Iorque e tem como pano de fundo uma escola católica dirigida por freiras. A irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), a directora da escola, é conhecida pelo seu pulso firme e pelo medo que inspira nos alunos com a sua constante vigilância. Ela tem algumas dúvidas em relação ao padre Brendan Flynn (Philip Seymour Hoffman), achando a forma como ele lida com os alunos do sexo masculino algo suspeita, o que a leva a pedir às restantes freiras que prestem especial atenção ao seu comportamento. A irmã James (Amy Adams), uma jovem e ingénua freira, com um gosto visível pelo ensino, observa a proximidade do padre com Donald Miller (Joseph Foster), o primeiro aluno negro daquela escola. Após relatar as suas suspeitas à directora, esta confronta Flynn com o suposto abuso, algo que ele nega categoricamente, dando mesmo uma explicação plausível para o seu comportamento. Aloysius, no entanto, não se deixa convencer com a explicação do padre, fazendo de tudo para o expulsar daquela escola, inclusivé confrontar Mrs. Miller (Viola Davis), a mãe de Donald, com as suas suspeitas.

A dúvida que dá o título ao filme, marca constantemente a sua presença: a dúvida da directora, a dúvida da jovem freira, a dúvida da mãe do rapaz. Mas a mais marcante dúvida é a nossa, a dos espectadores: nós nunca ficamos a saber se, de facto houve, ou não abuso sexual; se alguns factos apontam nesse sentido, outros apontam na direcção oposta. Apesar de estarem constantemente presentes, as palavras "pedofilia", "abuso sexual", "violação", nunca são proferidas no filme. São como um fantasma, um medo intocável. O que reforça o que eu disse no início deste post: a realidade sempre existiu, mas só recentemente lhe demos um nome. O fantasma saiu do armário, o medo começa a ser tocado. Mas a dúvida persiste; o mais pequeno gesto, por muito inocente que possa parecer (ou mesmo ser) é visto com desconfiança. Por isso mesmo, e apesar de se passar nos anos 60, este filme é de uma proximidade assustadora.

Este filme é daqueles a que se pode chamar "filme de actor". Toda a história, toda a tensão, todo o desenvolvimento da narrativa está centrado nos actores. Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman não fazem nada a que já não nos tenham habituado: são excelentes, como sempre. As surpresas aqui são Amy Adams e Viola Davis, que demonstram (e aqui sem qualquer dúvida) estar ao nível dos "grandes".

DOUBT conta com 5 nomeações para os Óscares: Melhor Actriz (Streep), Melhor Actor Secundário (Seymor Hoffman), 2 na categoria de Melhor Actriz Secundária (Adams e Davis) e Melhor Argumento Adaptado. E merece-as a todas. Sem qualquer dúvida.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Crítica #11


Quem não viu este filme, já pelo menos ouviu falar dele e sabe mais ao menos do que se trata. Devem saber também que é o filme que, este ano, conseguiu reunir o mair número de nomeações para os Óscares (13, no total). Devo confessar, que este é dos poucos filmes que correspondeu exactamente às minhas expectativas: não o achei nem melhor, nem pior do que aquilo que estava à espera.

Baseado num conto de
F. Scott Fitzgerald, este filme de David Fincher conta a história de Benjamin Button (Brad Pitt), um homem que nasce em circunstâncias invulgares: em vez de envelhecer, rejuvenesce. Ele nasce com o tamanho e a capacidade mental de um bébé, mas com a saúde e aspecto de um idoso. Conforme os anos vão passando, o corpo vai crescendo, mas a aparência vai-se tornando cada vez mais jovem. Quando ele nasce, o seu pai, Thomas Button (Jason Flemyng), assustado com o seu aspecto, abandona-o à porta de um lar de idosos, onde é encontrado por Queenie (Taraji P. Henson), uma funcionária desse mesmo lar. Incapaz de conceber, ela cria Benjamin como sendo o seu próprio filho, e ele sente-se perfeitamente integrado no lar, devido às óbvias semelhanças com os que aí habitam. A sua vida muda quando conhece Daisy (primeiro interpretada por Elle Fanning, depois por Madisen Beaty e finalmente por Cate Blanchett), a neta de uma das residentes do lar. Os dois tornam-se amigos inseparáveis e acabam por se apaixonar. Mas enquato Daisy vai ficando mais velha, Benjamin vai ficando mais novo, e os dois só se podem amar plenamente quando as suas idades físicas se aproximam. No fim o bébé Benjamin morre nos braços da já idosa Daisy, depois de uma vida inteira de desencontros.

A primeira coisa que posso dizer é isto: este filme tem coração. Isso nota-se a cada instante. A forma como reflecte sobre a passagem do tempo, a inevitabilidade da morte e a tragédia de um amor impossível é extremamente sensível. Nota-se empenho e paixão e isso é sempre um bom princípio. O que mais chama a atenção em THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON, é, sem dúvida a caracterização: vemos Brad Pitt como um velho e como um adolescente, é quase sempre ele a interpretar Benjamin, e fisicamente é perfeitamente credível. No que diz respeito à representação, parece-me que a nomeação para o Óscar de Melhor Actor foi um exagero. É verdade que ele se entrega ao papel e é bastante credível, mas, além de faltar qualquer coisa haveria outros actores que mereciam aquela nomeação mais do que ele. O mesmo posso dizer em relação a Taraji P. Henson, nomeada como Melhor Actriz Secundária (a própria Cate Blanchett tê-la-ia merecido muito mais).

Teria sido bem mais interessante se o filme tivesse sido mais fiel ao conto de Fitzgerald, onde Benjamin nasce com o tamanho, saúde e capacidade mental de um idoso e morre com as de uma criança, conseguindo cruzar-se em idade física com o pai, o filho (que no filme é uma filha) e o neto, conseguindo criar com eles uma relação genuína. Aqui parece que toda a sua vida gira em torno de Daisy, todos os outros são apenas pessoas com quem se vai cruzando, mas que depressa se esquecem. O filme falha por isso mesmo: é difícil ver a forma como Benjamin se relaciona com o mundo. Mesmo assim, gostei do filme. Achei-o interessante e cheios de boas ideias (que teve muita dificuldade em por em prática). 13 nomeações... parece-me demais.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Crítica #10


A primeira vez que Leonardo DiCaprio e Kate Winslet contracenaram foi já há 12 anos, no filme sensação da altura TITANIC, que até hoje é aquele que mais dinheiro rendeu nas bilheteiras de todo o mundo. Na inocência dos meus 14 anos, eu fiquei completamente obcecada com o filme (se calhar, mais com o actor principal, que foi o meu ídolo da adolescência). Agora percebo que, apesar de, sem dúvida, ter sido importante na história do cinema, TITANIC não é um filme por aí além. Falta-lhe muita coisa, particularmente em termos narrativos. Isto só para dizer que, como eu cresci, o mesmo aconteceu com a dupla protagonista. E isso nota-se em REVOLUTIONARY ROAD.
 
Adaptado do livro homónimo de Richard Yates, a accção do filme passa-se em 1955 e conta a história de Frank e April Wheeler (DiCaprio e Winslet), um casal que vive num simpático bairro suburbano, Revolutionary Road. Para os que os rodeiam, os Wheeler são o exemplo do casal ideal: jovens, bonitos, apaixonados, com dois filhos fantásticos e a viverem numa casa que qualquer pessoa adoraria ter. Mas a realidade é bem diferente: Frank tem um emprego que detesta e April quer mais da vida do que ser a típica esposa e dona de casa. Numa tentativa de fugir à monótona vida suburbana, April convence Frank a mudarem-se para Paris, onde ela arranjaria um emprego e ele teria tempo para descobrir o que realmente gosta de fazer. Apesar de a ideia o entusiasmar, Frank tem medo de deixar a vida estável que sempre conseguiu proporcionar à família. Quando April engravida pela terceira vez e surge uma oportunidade de promoção a Frank, ele desiste de vez, deixando April desiludida não só com ele, como consigo própria.  

O medo de falhar, de partir para uma vida incerta assusta Frank. Ele representa o típico ser humano que acaba por ficar confortável com a vida que tem, mesmo que esta não o entusiasme; o homem que não quer dar um passo em frente porque tem medo de cair. April representa aquele tipo de pessoa que está disposta a arriscar e a escapar da monotonia de uma vida estandardizada, mas que nunca o consegue fazer. Ela acha que as "regras" que determinam a vida das pessoas não se deviam aplicar a toda a gente, muito menos a ela. E é por isso que o casamento de ambos se desmorona: ele não é capaz de entender que ela quer mais do que ser uma mulher normal, ela quer ser extraordinária.

Tanto Winslet como DiCaprio estão fabulosos nos seus papéis (não se percebe, aliás, porque é que ele não foi nomeado para um Óscar); vê-se bem que os tempos de TITANIC já lá vão. Eles amadureceram, evoluiram. E o resultado é brilhante. Também o realizador, Sam Mendes, fez um excelente trabalho com este filme, que, aliás, em termos de temática, tem muitas semelhanças com AMERICAN BEAUTY, que também captava a monotonia e conformismo da vida suburbana.
No mundo em que vivemos, muito poucos têm a capacidade ou a oportunidade de viver a vida que sonharam. Agarramo-nos à primeira coisa que nos aparece, porque temos medo de não conseguirmos mais. Corajoso será aquele que der um passo em frente, mesmo sabendo que pode cair. A pergunta que o filme nos deixa é: será isso possível? Sabendo que a queda pode ser fatal, haverá ainda quem consiga dar o passo? E será que poderemos mesmo evitar a queda se evitarmos dar o passo?

Este filme foi nomeado para três Óscares: Melhor Actor Secundário (Michael Shannon), Melhor Direcção Artística e Melhor Guarda-Roupa. Merecia mais que isso. Muito mais.