segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Crítica #11


Quem não viu este filme, já pelo menos ouviu falar dele e sabe mais ao menos do que se trata. Devem saber também que é o filme que, este ano, conseguiu reunir o mair número de nomeações para os Óscares (13, no total). Devo confessar, que este é dos poucos filmes que correspondeu exactamente às minhas expectativas: não o achei nem melhor, nem pior do que aquilo que estava à espera.

Baseado num conto de
F. Scott Fitzgerald, este filme de David Fincher conta a história de Benjamin Button (Brad Pitt), um homem que nasce em circunstâncias invulgares: em vez de envelhecer, rejuvenesce. Ele nasce com o tamanho e a capacidade mental de um bébé, mas com a saúde e aspecto de um idoso. Conforme os anos vão passando, o corpo vai crescendo, mas a aparência vai-se tornando cada vez mais jovem. Quando ele nasce, o seu pai, Thomas Button (Jason Flemyng), assustado com o seu aspecto, abandona-o à porta de um lar de idosos, onde é encontrado por Queenie (Taraji P. Henson), uma funcionária desse mesmo lar. Incapaz de conceber, ela cria Benjamin como sendo o seu próprio filho, e ele sente-se perfeitamente integrado no lar, devido às óbvias semelhanças com os que aí habitam. A sua vida muda quando conhece Daisy (primeiro interpretada por Elle Fanning, depois por Madisen Beaty e finalmente por Cate Blanchett), a neta de uma das residentes do lar. Os dois tornam-se amigos inseparáveis e acabam por se apaixonar. Mas enquato Daisy vai ficando mais velha, Benjamin vai ficando mais novo, e os dois só se podem amar plenamente quando as suas idades físicas se aproximam. No fim o bébé Benjamin morre nos braços da já idosa Daisy, depois de uma vida inteira de desencontros.

A primeira coisa que posso dizer é isto: este filme tem coração. Isso nota-se a cada instante. A forma como reflecte sobre a passagem do tempo, a inevitabilidade da morte e a tragédia de um amor impossível é extremamente sensível. Nota-se empenho e paixão e isso é sempre um bom princípio. O que mais chama a atenção em THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON, é, sem dúvida a caracterização: vemos Brad Pitt como um velho e como um adolescente, é quase sempre ele a interpretar Benjamin, e fisicamente é perfeitamente credível. No que diz respeito à representação, parece-me que a nomeação para o Óscar de Melhor Actor foi um exagero. É verdade que ele se entrega ao papel e é bastante credível, mas, além de faltar qualquer coisa haveria outros actores que mereciam aquela nomeação mais do que ele. O mesmo posso dizer em relação a Taraji P. Henson, nomeada como Melhor Actriz Secundária (a própria Cate Blanchett tê-la-ia merecido muito mais).

Teria sido bem mais interessante se o filme tivesse sido mais fiel ao conto de Fitzgerald, onde Benjamin nasce com o tamanho, saúde e capacidade mental de um idoso e morre com as de uma criança, conseguindo cruzar-se em idade física com o pai, o filho (que no filme é uma filha) e o neto, conseguindo criar com eles uma relação genuína. Aqui parece que toda a sua vida gira em torno de Daisy, todos os outros são apenas pessoas com quem se vai cruzando, mas que depressa se esquecem. O filme falha por isso mesmo: é difícil ver a forma como Benjamin se relaciona com o mundo. Mesmo assim, gostei do filme. Achei-o interessante e cheios de boas ideias (que teve muita dificuldade em por em prática). 13 nomeações... parece-me demais.

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