quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Crítica #10


A primeira vez que Leonardo DiCaprio e Kate Winslet contracenaram foi já há 12 anos, no filme sensação da altura TITANIC, que até hoje é aquele que mais dinheiro rendeu nas bilheteiras de todo o mundo. Na inocência dos meus 14 anos, eu fiquei completamente obcecada com o filme (se calhar, mais com o actor principal, que foi o meu ídolo da adolescência). Agora percebo que, apesar de, sem dúvida, ter sido importante na história do cinema, TITANIC não é um filme por aí além. Falta-lhe muita coisa, particularmente em termos narrativos. Isto só para dizer que, como eu cresci, o mesmo aconteceu com a dupla protagonista. E isso nota-se em REVOLUTIONARY ROAD.
 
Adaptado do livro homónimo de Richard Yates, a accção do filme passa-se em 1955 e conta a história de Frank e April Wheeler (DiCaprio e Winslet), um casal que vive num simpático bairro suburbano, Revolutionary Road. Para os que os rodeiam, os Wheeler são o exemplo do casal ideal: jovens, bonitos, apaixonados, com dois filhos fantásticos e a viverem numa casa que qualquer pessoa adoraria ter. Mas a realidade é bem diferente: Frank tem um emprego que detesta e April quer mais da vida do que ser a típica esposa e dona de casa. Numa tentativa de fugir à monótona vida suburbana, April convence Frank a mudarem-se para Paris, onde ela arranjaria um emprego e ele teria tempo para descobrir o que realmente gosta de fazer. Apesar de a ideia o entusiasmar, Frank tem medo de deixar a vida estável que sempre conseguiu proporcionar à família. Quando April engravida pela terceira vez e surge uma oportunidade de promoção a Frank, ele desiste de vez, deixando April desiludida não só com ele, como consigo própria.  

O medo de falhar, de partir para uma vida incerta assusta Frank. Ele representa o típico ser humano que acaba por ficar confortável com a vida que tem, mesmo que esta não o entusiasme; o homem que não quer dar um passo em frente porque tem medo de cair. April representa aquele tipo de pessoa que está disposta a arriscar e a escapar da monotonia de uma vida estandardizada, mas que nunca o consegue fazer. Ela acha que as "regras" que determinam a vida das pessoas não se deviam aplicar a toda a gente, muito menos a ela. E é por isso que o casamento de ambos se desmorona: ele não é capaz de entender que ela quer mais do que ser uma mulher normal, ela quer ser extraordinária.

Tanto Winslet como DiCaprio estão fabulosos nos seus papéis (não se percebe, aliás, porque é que ele não foi nomeado para um Óscar); vê-se bem que os tempos de TITANIC já lá vão. Eles amadureceram, evoluiram. E o resultado é brilhante. Também o realizador, Sam Mendes, fez um excelente trabalho com este filme, que, aliás, em termos de temática, tem muitas semelhanças com AMERICAN BEAUTY, que também captava a monotonia e conformismo da vida suburbana.
No mundo em que vivemos, muito poucos têm a capacidade ou a oportunidade de viver a vida que sonharam. Agarramo-nos à primeira coisa que nos aparece, porque temos medo de não conseguirmos mais. Corajoso será aquele que der um passo em frente, mesmo sabendo que pode cair. A pergunta que o filme nos deixa é: será isso possível? Sabendo que a queda pode ser fatal, haverá ainda quem consiga dar o passo? E será que poderemos mesmo evitar a queda se evitarmos dar o passo?

Este filme foi nomeado para três Óscares: Melhor Actor Secundário (Michael Shannon), Melhor Direcção Artística e Melhor Guarda-Roupa. Merecia mais que isso. Muito mais.

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