quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Crítica #3

NEKO NO ONGAESHI (2002), de Hiroyuki Morita

Em 1995, o Studio Ghibli lançou um filme intitulado MIMI WO SUMASEBA (WHISPER OF THE HEART, em inglês), baseado numa manga de Aoi Hîragi. O filme contava a história de uma rapariga que estava escrever um livro de literatura fantástica; algumas cenas desse livro foram retratadas no filme. Essas cenas tiveram tanto sucesso que os fãs pediram para ser feito um filme a partir do livro ficcional: esse filme é NEKO NO ONGAESHI.

Haru (Chizuru Ikewaki) é uma adolescente tímida que precisa desesperadamente de se sentir melhor consigo própria e que vive frustrada com a vida de estudante na Tóquio actual. Um dia salva um gato de ser atropelado, mas não faz ideia daquilo que esta inocente acção vai desencadear. O gato é, na verdade, o herdeiro ao trono do Reino dos Gatos (Takayuki Yamada), um lugar estranho e encantado. Como agradecimento, o rei (Tetsuro Tamba) leva-a até ao misterioso reino e cobre-a de presentes e mordomias. Se ao princípio Haru se sente fascinada com aqueles gatos falantes, fica apavorada quando descobre que o rei pretende casá-la com o seu filho. Com a ajuda do Barão Humbert von Gikkingen (Yoshihiko Hakamada) e do seu amigo Muta (Tetsu Watanabe), Haru planeia a sua fuga, pois não pretende ser noiva do príncipe.

Apesar de estar bastante longe das obras-primas do Studio Ghibli (como MONONOKE-HIME, SEN TO CHIHIRO NO KAMIKAKUSHI, HAURU NO UGOKU SHIRO e, a melhor de todas, HOTARU NO HAKA), NEKO NO ONGAESHI, continua a estar vários graus acima da maior parte dos filmes de animação que vamos vendo nas salas de cinema. A história é bem interessante, mas poderia estar mais desenvolvida; as personagens estão bem construídas, mas podíamos saber um pouco mais sobre elas; a relação entre Haru e o Barão é bastante original, mas não ficamos a saber o suficiente sobre aquilo que sentem um pelo outro. Fica-se sempre com a sensação de que o filme está incompleto, que poderia ser muito mais. Resumindo: vê-se bem que é um filme do Studio Ghibli, mas não é de Miyazaki. Chamo a atenção para a excelente banda sonora, em especial para a canção que acompanha o genérico final (“Kaze ni naru”, interpretada por Ayano Tsuji).

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