domingo, 12 de abril de 2009

Crítica #14


Um dos grandes desafios do cinema é, na minha opinião, adaptar um livro ao grande ecrã. É necessário manter a fidelidade ao texto mas, ao mesmo tempo, criar algo de novo. Lembro-me de, há já alguns anos, ir ao cinema com uma amiga ver um filme adaptado de um livro que tinha sido um estrondoso sucesso a nível mundial (não vou nomear o livro, mas se calhar já estarão a ter uma ideia...). Eu tinha adorado o livro e gostei bastante do filme; a minha amiga não conhecia a história e não percebeu a razão de tanto sucesso. E eu percebi porquê: o filme foi criado para aqueles que leram o livro, como uma espécie de apêndice ao livro. E não estava mau, mas faltava-lhe ter as pequenas coisas que me fizeram apaixonar pelo livro. E é esse o problema com muitas das adaptações de livros ao cinema: os filmes são feitos tendo em mente aqueles que já conhecem a história, quando deveriam ser feitos para aqueles que não sabem absolutamente nada sobre ela.

E é então que chegamos ao filme de que quero falar. BRIDGE TO TERABITHIA foi adaptado do romance de Katherine Paterson, publicado em 1977. Jess Aarons (Josh Hutcherson) é um rapaz tímido e indaptado, praticamente ignorado pelos pais e constantemente humilhado na escola cujo único refúgio é fazer desenhos em folhas de papel, para os quais ele tem um talento nato. Um dia a escola que Jess frequenta recebe uma aluna nova, Leslie Burke (AnnaSophia Robb), uma rapariga também solitária mas com uma visão optimista da vida e uma enorme imaginação. Vendo em Jess alguém com quem se poderá identificar e admirando o seu talento para o desenho ela decide aproximar-se dele e tentar criar uma relação de amizade. A princípio resistente, Jess acaba por se deixar contagiar com a alegria de Leslie e os dois refugiam-se num cantinho escondido numa pequena floresta que só eles conhecem. Aí imaginam um mundo mágico, Terabithia mundo esse só assecível aos dois e onde enfrentam os desafios da vida real.

À primeira vista, este pode parecer um filmezinho para crianças, um daqueles filmes que os pais acham ser o ideal para levarem os filhos a ver ao cinema. Apesar do principal público alvo ser, de facto, o infanto-juvenil (afinal de contas, é um filme da Disney), BRIDGE TO TERABITHIA vai um pouco mais além. Leva-nos a pensar quando foi que perdemos a capacidade de sonhar, quando foi que perdemos a capacidade de imaginar. A criação de um mundo só deles leva estas duas crianças a ganharem coragem para enfrentar os problemas que os esperam quando de lá saem, eles encontram um no outro a confiança que até aí não tinham.

Eu nunca li o livro no qual este filme se baseia. Na verdade, enquanto estava a ver o filme, nem sequer fazia a menor ideia de que se tratava da adaptação de um livro. E apaixonei-me pelo filme. O que prova o que eu dizia no início deste post: BRIDGE TO TERABITHIA foi feito para aqueles que não conheciam a história, e não falhou. Mesmo sem ter lido o livro, o filme tocou-me profundamente. Chamem-me infantil, chamem-me criança. Não me importo. Esta maravilha do cinema é algo que todas as crianças deviam ver e que só faz bem aos adultos.

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