quinta-feira, 7 de maio de 2009

Crítica #16

CONFESSIONS OF A SHOPAHOLIC (2009), de P.J. Hogan

Uma comédia não tem necessariamente que ser um filme muito inteligente. Existem comédias divertidíssimas que não pretendem ser mais do que aquilo que são: um filme para fazer rir, sem pensar muito; que pretende desanuviar a cabeça e proporcionar ao espectador um momento bem passado. Nada contra esse tipo de filmes. Muito pelo contrário, sabe bem vê-los. Há também aquelas comédias que fazem rir, mas têm algo mais para além do divertido; têm inteligência no humor. Esse tipo de filmes é do mais difícil de se fazer (e de encontrar). E depois há aqueles filmes que querem ser inteligentes mas não conseguem. E esses falham nos dois campos: não conseguem ser uma comédia inteligente mas também não conseguem ser uma comédia "estúpida" (faltando uma palavra melhor). Infelizmente, é nesta última categoria que CONFESSIONS OF A SHOPAHOLIC se encaixa.

LOUCA POR COMPRAS é baseado no livro
THE SECRET DREAMWORLD OF A SHOPAHOLIC, da escritora britânica Sophie Kinsella (pseudónimo de Madeleine Wickham). Rebecca Bloomwood (Isla Fisher) é uma consumidora compulsiva que acumulou uma enorme dívida nos cartões de crédito. Desesperada com a falta de dinheiro, ela consegue arranjar emprego na revista Successful Saving, onde, ironicamente, aconselha os leitores sobre a melhor forma de gerirem as suas finanças. Ela acaba por ser um sucesso com os leitores e capta a atenção do editor da revista, o charmoso e simpático Luke Brandon (Hugh Dancy). Mas este emprego não é suficiente para parar a sua obsessão por compras e a dívida acumula-se pondo em risco, inclusive, a relação de Rebecca com a melhor amiga, Suze (Krysten Ritter).
 
É evidente aquilo que CONFESSIONS OF A SHOPAHOLIC pretende ser: uma comédia genuína misturada com uma reflexão séria sobre como os gastos desnecessários podem ser uma forma de atenuar a solidão (a uma dada altura do filme, Rebecca diz algo como "Ao contrário de um homem, uma loja nuna te vai deixar, nunca te vai desiludir."). E se é bem sucedido no primeiro aspecto (há momentos bastante divertidos), não o é totalmente no segundo; apesar de criar uma certa empatia com Rebecca, não explica totalmente porque é que ela se refugia nas compras (como outras mulheres se refugiam na comida, no sexo ou em tantas outras coisas), aquilo que faz com que comprar seja a única forma de se sentir bem. A relação de Rebecca com o chefe é um ponto interessante da história, mas podia estar mais desenvolvida.

Há, no entanto, pontos positivos. O elenco foi muito bem escolhido, todos entram muito bem nas suas personagens. A cinematografia está também muito boa. E a banda sonora é excelente e bem adequada ao filme.

CONFESSIONS OF A SHOPAHOLIC poderia ter sido um excelente filme, uma excelente comédia "inteligente". O problema é que existem aqui tantas ideias, tantas coisas a serem ditas, que nenhuma delas é bem explicada. É, de facto, uma pena.