segunda-feira, 22 de junho de 2009

Crítica # 17


Heidi Fleiss tornou-se famosa em 1997, quando foi descoberta a sua ligação a uma rede de prostituição de luxo. Ela fornecia prostitutas a homens das mais altas esferas como actores, empresários, atletas e até a membros da realeza de países árabes. No mesmo ano foi condenada a 37 meses (3 anos e 1 mês) de prisão, tendo cumprido apenas 21 (1 ano e 9 meses). O facto de ter conseguido manter o seu negócio durante tanto tempo, ter ficado milionária à custa dele e ter tido como clientes alguns dos homens mais famosos do mundo chamou à atenção dos média e do público.
 
Este filme foi exibido no dia 29 de Março de 2004, na estação televisiva norte-americana USA Network. Como o próprio título do filme dá a entender, temos aqui relatadas a ascensão e a queda de Heidi Fleiss (Jamie-Lynn Sigler). Fleiss entra no mundo da prostituição através do realizador Ivan Nagy (Robert Davi), com quem teve uma relação. Ela aprende todos os truques da profissão com a "madame" (nome dado à mulher que gere uma rede de prostituição) Alex (Brenda Fricker), para quem trabalha. Quando Alex é presa, Heidi rouba-lhe o negócio. Ao longo de anos ela recruta dezenas de raparigas e consegue angariar vários clientes, tornando-se famosa pela qualidade dos seus serviços e pela sua discrição. Mas tal como a polícia de Los Angeles andava atrás de Alex, também anda atrás de Heidi, com destaque para o sargento Willeford (Ian Tracey), um polícia corrupto que a chantageia quando ela se recusa a dar-lhe informações sobre os seus clientes.

Apesar de ser difícil saber o que é realidade e o que é ficção, CALL ME: THE RISE AND FALL OF HEIDI FLEISS (com a péssima tradução portuguesa de MADAME HOLLYWOOD) apresenta os acontecimentos que involvem Fleiss de uma forma bastante verosímil. Peca apenas pela rapidez com que passa por determinadas fases. Por exemplo, a cena inicial, que nos mostra brevemente a infância de Heidi, dá-nos a entender o porquê de ela ser como é: teve um pai (Saul Rubinek) que a educou sem limites nem castigos, o que a levou a fazer de tudo sem nunca pensar nas consequências; mas seria preciso saber mais alguma coisa. Também não sabemos quase nada da vida de Heidi entre a infância e a sua entrada no mundo da prostituição, o que seria importante para compreender determinados aspectos do seu carácter.

No que diz respeito ao casting, parece-me que foi bastante acertado. Foram escolhidos actores que além de interpretarem bem as personagens, são fisicamente parecidos com elas (a semelhança entre Jamie-Lynn Sigler e Heidi Fleiss é espantosa). 

O mundo da prostituição de luxo é mostrado ao pormenor: um mundo onde ninguém é amigo de ninguém e todos se movem num círculo de interesses. Quando Heidi está a ser julgada, ninguém, nem mesmo os seus supostos amigos, testemunha a seu favor. No final o círculo continua: tal como Heidi roubou o negócio a Alex, Lauren (Emmanuelle Vaugier), uma prostituta envolvida na rede, rouba o negócio a Heidi. Como a própria Heidi diz no fim, a profissão mais antiga do mundo não é a prostituição, mas sim a traição.

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