terça-feira, 21 de julho de 2009

Crítica #20

HARRY POTTER AND THE HALF-BLOOD PRINCE (2009), de David Yates

Um aviso prévio: este post contém spoilers. Por isso, se não viram o filme nem conhecem a história, se calhar será melhor não lerem o que escrevo aqui.

Eu sou, já há alguns anos, uma fã acérrima da saga criada por J.K. Rowling
. Desde que li o primeiro livro fiquei fascinada com o mundo inventado pela escritora. Percebi desde logo que, ao contrário da opinião de algumas pessoas, estes livros não são, de maneira nenhuma, só para crianças. Conforme fui crescendo, fui sabendo apreciar melhor cada um dos livros, que se foram tornando cada vez mais sérios e com um tom cada vez mais negro. Isto é fácil de entender: os protagonistas cresceram, e a sua percepção da realidade tornou-se, também mais "adulta". Em 2001, surgiu o primeiro filme, realizado por Chris Columbus (o mesmo realizador dos dois primeiros SOZINHO EM CASA), um excelente realizador, mas que deu a HARRY POTTER AND THE PHILOSOPHER'S STONE (ou SORCERER'S STONE, nos E.U.A.) um tom de filme familiar que fez dele um filme simpático e agradável, mas não ao nível da genialidade do livro. Foi também Columbus o realizador do segundo filme, HARRY POTTER AND THE CHAMBER OF SECRETS, dando-lhe o mesmo tom que o primeiro. Eis que chegamos a 2004 e ao terceiro filme, HARRY POTTER AND THE PRISONER OF AZKABAN, desta vez com Alfonso Cuarón. A diferença é notória: o filme é mais fiel ao livro e o tom é bastante mais negro, como tem que ser. O quarto filme, HARRY POTTER AND THE GOBLET OF FIRE, foi realizado por Mike Newell, que, apesar de não tão bom como Cuarón, soube adaptar o livro de forma competente. O quinto filme, HARRY POTTER AND THE ORDER OF THE PHOENIX, surgiu pela mão de David Yates, que até fez uma adaptação bastante competente. Apesar das suas diferenças, todos estes filmes têm uma coisa em comum: não conseguem atingir o patamar dos livros. O mundo de Harry Potter é surpreendente, mágico e repleto de detalhes, algo que os cinco primeiros filmes não conseguem concretizar na totalidade. Todos aqueles pormenores que Rowling soube colocar tão bem nos livros, desparecem dos filmes.

Este sexto filme, HARRY POTTER AND THE HALF-BLOOD PRINCE , foi também realizado por Yates, que deixou, definitivamente, o território infantil. Neste filme, Harry (Daniel Radcliffe) tem uma importante missão, que lhe foi confiada por Dumbledore (Michael Gambon): descobrir uma informação vital do passado de Voldemort (interpretado por Hero Fiennes-Tiffin enquanto criança e por Frank Dillane enquanto adolescente), informação detida pelo novo professor de Poções de Hogwarts, Horace Slughorn (Jim Broadbent). Mas Voldemort também confiou a um aluno uma missão: ele escolheu Draco Malfoy (Tom Felton) para ajudar os Deatheaters (Devoradores da Morte, em português) a entrar em Hogwarts e assim matar Dumbledore. Mas além de feiticeiros, as personagens principais são agora adolescentes, e como todos os adolescentes, começam a ser afectados pelas hormonas: Harry começa a apercebe-se dos seus sentimentos por Ginny Weasley (Bonnie Wright) e o mesmo acontece a Hermione (Emma Watson) em relação a Ron (Rupert Grint).

Uma coisa tenho que admitir: desta vez, Yates esforçou-se para tornar o filme um objecto independente do livro, em vez de um apêndice do mesmo. E, ao contrário do que acontecia com os anteriores, este filme é capaz de agradar bastante a quem não leu o livro. Quem leu, no entanto, percebe logo que falta aqui muita coisa. Há pormenores que falta explicar: porque é que Snape (
Alan Rickman) se auto-intitula "Half Blood-Prince", ou príncipe de meio-sangue, em português (e é importante perceber isso para se compreender a personagem)?; quais são as possíveis Horcruxes (informação que Dumbledore dá a Harry no livro e que é crucial para HARRY POTTER AND THE DEATHLY HALLOWS )?; isto só para referir dois. E a que propósito surge a cena no campo de trigo, cena essa que não está no livro e em nada contribui para o avançar da acção? A parte romântica do filme, no entanto, está bastante boa: quem não se lembra de se sentir assim quando era adolescente?

O filme é longo (cerca de duas horas e meia), muito possivelmente para incluir todos os pormenores importantes do livro. Parece-me, no entanto, que teria sido melhor ter sido feito aqui o que vai ser feito com o último livro, ou seja, dividi-lo em dois: conseguiriam ter incluído mais pormenores importantes, teria havido espaço para desenvolver melhor as personagens e, claro, teriam conseguido o dobro do lucro (acreditem, os fãs pagariam dois bilhetes).

Tecnicamente, HARRY POTTER AND THE HALF-BLOOD PRINCE é perfeito: efeitos visuais e sonoros de cortar a respiração, cinematografia irrepreensível e excelente direcção artística. A banda sonora evoluiu em relação aos filmes anteriores, está mais adequada à mudança de tom aqui presente.

Os jovens actores também evoluiram bastante desde o primeiro filme: cresceram, aprenderam e, como têm sensivelmente a mesma idade que as personagens, conseguem encarná-las perfeitamente. Os veteranos são excelentes, neste filme com destaque para Jim Broadbent, impecável no papel de Slughorn.

O filme está longe de ser perfeito, mas vale a pena ser visto. Quem é adolescente conseguirá, certamente, rever-se nestas personagens; quem já o foi, de certeza que vai sentir uma certa saudade.

1 comentários:

Jackson disse...

Também sou fã devoto da saga de JK Rowling, e deliciei-me com esta nova aventura, que não perfeita como dizes, mas satisfatória e cativamente.

Abraço!