segunda-feira, 27 de julho de 2009

Crítica #21


Quando pensamos na rainha Victoria, imaginamos uma senhora de idade, baixa, forte, soturna, austera e sempre vestida de preto. Mas a verdade é que ela também foi jovem, bonita e rebelde, um aspecto da sua vida pouco conhecido, que este filme tenta recriar.

Como o próprio título do filme dá a entender, THE YOUNG VICTORIA
(A JOVEM VITÓRIA, em português) mostra-nos a infância e juventude da rainha. Victoria (Emily Blunt) era filha do Príncipe Edward Augustus, Duque de Kent e Strathearn (o quarto filho do rei George III) e da Princesa Victoria de Saxe-Coburg-Saalfeld, Duquesa de Kent e Strathearn (Miranda Richardson). Desde criança que ela sabia o lugar que ocupava na linha de sucessão ao trono e as maquinações políticas a que estava sujeita, tanto por parte do seu tio materno, o rei Leopold I da Bélgica (Thomas Kretschmann), como de Sir John Conroy (Mark Strong), secretário e amigo pessoal da sua mãe. O objectivo de Leopold era conquistar o apoio da Inglaterra, enquanto que o de Conroy era fazer com que Victoria assinasse um documento fazendo da Duquesa de Kent regente e dele próprio o poder por trás do trono. Com o ojectivo de conquistar o apoio da jovem princesa, Leopold envia a Inglaterra os seus sobrinhos Albert (Rupert Friend) e Ernest (Michiel Huisman). Victoria e Albert ficam imediatamente encantados um com outro, casando-se em 1840, quando ela era já rainha. Ele tenta também exercer a sua influência sobre ela, tentando atenuar os efeitos das maquinações de Lord Melbourne (Paul Bettany) e da baronesa Lehzen (Jeanette Hain), ama e confidente de Victoria desde a infância.

Fazer um biopic sobre uma figura história desta relevância é arriscado, principalmente quando a escolha é incidir sobre um período menos conhecido da sua vida. THE YOUNG VICTORIA está muito bem conseguido, tanto na recriação da época, como no cuidado que tem no desenvolvimento das personagens. É interessante a forma como nos consegue dar a ver a mulher por trás da rainha que foi Victoria. A relação de Victoria e Albert é, sem dúvida o foco do filme e nisso o argumento de Julian Fellowes não falhou: a forma como eles se conhecem e se apaixonam é bem apresentada (e, arrisco-me a dizer, muito próxima da realidade); não nos é mostrada à pressa, dando-nos tempo para perceber o porquê de se terem interessado um pelo outro (aliás, o casamento acontece nos últimos 30 minutos do filme). Por tràs de tudo isto, temos as maquinações políticas de várias personalidades relevantes; manipular Victoria enquanto era ainda criança parecia simples e consegui-lo era o passaporte para o poder. Curiosamente, a pessoa por quem Victoria mais se deixou influenciar, foi das poucas que nutriu por ela um sentimento verdadeiro.

O guarda-roupa, a cinematografia, a caracterização e a direcção artística retratam perfeitamente o ambiente da época, dando-nos a entender que Victoria está bem longe de ser a viúva soturna que conhecemos. A banda sonora está excelente, com destaque para a canção que se ouve no genérico final ("
Only You", interpretada por Sinéad O'Connor).
O casting está perfeito, especialmente Emily Blunt e Rupert Friend, perfeitos como Victoria e Albert.

Por tràs de uma rainha há sempre uma mulher. E, modificando o conhecido ditado, ao lado de uma grande mulher há sempre um grande homem. Para além da política e dos interesses, há algo que influenciou ainda mais o tipo de rainha que Victoria foi: o amor.


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