quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Crítica #28


James Cameron não faz muitos filmes, mas quando faz, é impossível não se reparar. AVATAR já é o segundo filme que mais dinheiro rendeu na história do cinema e prevê-se que não demore muito a atingir o topo, ultrapassando um outro filme do realizador, TITANIC.

A história de AVATAR passa-se no ano de 2154, num planeta chamado Pandora. Uma empresa norte-americana está já há anos a estudar a biosfera do planeta, e se há aqueles cujo interesse em Pandora é puramente científico, há outros que pretendem extrair de lá um mineral valiosíssimo, nem que para isso tenham que expulsar os seres humanóides que lá vivem. Os nativos de Pandora, os Na'vi, são mais altos que os humanos, têm uma fisionomia com características felinas, têm uma cauda e são azuis. A atmosfera de Pandora é tóxica para os humanos, de maneira que, para que estes o possam explorar livremente são criados corpos com a fisionomia de um Na'vi mas com ADN humano, os avatares do título. Estes corpos são mental e fisicamente controlados pelo humano equivalente. Jake Sully (
Sam Worthington) é um ex-marine paraplégico que vai substituir o falecido irmão gémeo no programa avatar. Como o seu ADN é idêntico ao do irmão ele conseguirá controlar o avatar que lhe corresponde. A sua função é simplesmente servir de "guarda-costas" à Dra. Grace Augustine (Sigourney Weaver), uma cientista que estuda a cultura Na'vi já há vários anos e ao biólogo Norm Spellman (Joel Moore). No entanto, sem o conhecimento destes, ele serve também de espião ao Coronel Miles Quaritch (Stephen Lang), o líder das forças de segurança. Na sua primeira missão nas florestas de Pandora, Jake perde-se e é salvo por Neytiri (Zoe Saldana), uma Na'vi. De início desconfiados, os Na'vi decidem acolhê-lo na sua tribo e explicar-lhe o seu modo de vida. Apesar de fornecer a Quaritch várias informações estratégicas, Jake começa a perceber melhor os Na'vi e a identificar-se com o seu modo de vida, apaixonando-se por Neytiri. Quando as forças comandadas por Quaritch começam a destruir o planeta, cabe-lhe a ele liderar os Na'vi.

Visualmente, AVATAR é de cortar a respiração (e nem seria necessário o 3D). As deslumbrantes paisagens de Pandora devem ser das imagens mais belas que foram vistas em cinema. Aliás, grande parte do filme é passada a mostrá-las ao espectador, a fazer com que queiramos lá estar e que, no final, queiramos entrar na batalha para as proteger.

Narrativamente, AVATAR poderá não ser muito original (assim, de repente, vem-me à cabeça
POCAHONTAS ) mas, se pensarmos bem, muito poucas histórias são 100% originais. É verdade que James Cameron vai buscar muitos elementos da história a outras histórias, mas a forma como os apresenta é tão cativante, tão sedutora, que depressa isso se torna irrelevante.

A técnica de "motion capture" atinge aqui um ponto alto mostrando-se muito eficaz: por exemplo, nós nunca vemos Zoe Saldana fisicamente presente, mas vêmo-la a representar, a passar emoções através de Neytiri. As personagens são muito interessantes; é-lhes dada a profundidade exigida e conseguimos identificar-nos com a maior parte delas.

O casting é também muito positivo, tendo sido escolhidos os actores certos para as respectivas personagens.

O único ponto negativo de AVATAR, na minha opinião, é a banda-sonora que, apesar de cumprir a sua função, não é brilhante.

A mensagem de AVATAR é extremamente relevante para os dias de hoje. O respeito pelo nosso mundo deve sempre ser superior à ganância. Os Na'vi vivem em comunhão com a natureza, respeitam-na, vêem-na como é preciso ser vista. Como Jake aprende, por vezes basta olhar com olhos de ver para se perceber aquilo que é importante.

Não sei dizer se este filme entrará na lista dos meus preferidos; só daqui a algum tempo saberei se ainda o sinto da mesma maneira (afinal de contas, há treze anos atràs fiquei fascinada com TITANIC e agora não consta na lista dos meus preferidos). Mas para já, neste momento, posso dizer que AVATAR foi uma das melhores experiências cinematográficas da minha vida.


1 comentários:

Tiago Ramos disse...

Avatar é a revolução visual que anunciou, é um dos melhores filmes do ano, da década e de sempre. Não é o melhor, apenas porque a narrativa não acompanha a técnica excelsa. Mas é sem sombra de dúvidas, um marco no Cinema. Agora no Cinema há o Antes de Avatar e o Depois de Avatar.