domingo, 3 de janeiro de 2010

Crítica #26


Eu fui adolescente nos anos 90 e lembro-me muito bem de ver a importância que as minhas amigas davam ao facto de terem sapatilhas e calças da marca X ou relógios da marca Y. Lembro-me também os olhares maldosos de que era vítima por não dar qualquer importância à marca da roupa que vestia, não porque não tivesse dinheiro para a comprar, mas porque simplesmente não me parecia essencial. Mesmo hoje, não dou importância à moda: tendo que escolher entre o conforto e a marca, opto sempre pelo conforto. THE DEVIL WEARS PRADA tem tudo a ver com a moda, com a importância dada à moda, com aquilo que algumas pessoas estão dispostas a fazer para serem alguém no mundo da moda.

Andrea "Andy" Sachs (Anne Hathaway
) uma aspirante a jornalista recém-licenciada consegue um emprego que "milhões de raparigas matariam para ter": o de assistente pessoal de Miranda Priestly (Meryl Streep), a editora da revista de moda Runway, uma mulher fria e exigente que domina o mundo da moda. Andy decide suportar as ridículas e excêntricas ordens da chefe, pois sabe que, se conseguir aguentar pelo menos um ano na Runway conseguirá arranjar o emprego que realmente quer. De início, ela tem alguma dificuldade em adaptar-se devido à sua inexperiência e à sua "falta de estilo", sendo vítima do gozo dos colegas, nomeadamente da outra assistente de Miranda, Emily Chalton (Emily Blunt). Decidida a aguentar o que for preciso, Andy pede ajuda para mudar de imagem a Nigel (Stanley Tucci), o director artístico da revista e o único em quem ela sente que pode confiar. Com o novo visual Andy conquista o respeito de Miranda (ou, pelo menos, o respeito que Miranda é capaz de lhe dar) e começa a compreender o mundo da moda, o que tem consequências na sua vida pessoal, nomeadamente na sua relação com o namorado, Nate (Adrian Grenier), e os amigos Lily (Tracie Thoms) e Doug (Rich Sommer).

A competitividade do mundo da moda e os seus extremos estão aqui bem presentes. Quando Andy começa a subir, o seu sentido de ética começa a alterar-se e ela começa a perceber que há certas partes de si que tem que deixar para trás. O importante não é o que se é, mas aquilo que se parece ser: note-se a cena em que Miranda deixa, por momentos, cair a máscara, e mostra a Andy a sua vulnerabilidade; contrasta-se com a atitude fria e controlada que demonstra em público. Note-se também o momento em que Nigel explica a Andy a importância que o mundo da moda e a Runway em específico tiveram na sua vida. E também a cena em que Emily está no hospital e faz Andy ver aquilo que ela própria começa a estar disposta a fazer.

Já pouco há a dizer sobre a capacidade interpretativa de Meryl Streep: temos aqui mais um excelente papel, que, muito justamente, lhe valeu a sua 14ª nomeação para um Óscar. Anne Hathaway interpreta o seu papel de forma competente (mas não brilhante). Uma chamada de atenção ainda para Emily Blunt e Stanley Tucci que dão às suas personagens uma dimensão muito interessante.

Termino este post com uma citação que tem bastante a ver com este filme:

" De que serve ao homem conquistar o mundo inteiro se perder a alma?"
Blaise Pascal

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