terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Crítica #27

SHERLOCK HOLMES (2009), de Guy Ritchie

Arthur Conan Doyle publicou o romance A STUDY IN SCARLET, a primeira aventura de Sherlock Holmes, em 1887. O título deriva de uma frase dita por Sherlock Holmes a Watson: "There’s the scarlet thread of murder running through the colourless skein of life, and our duty is to unravel it, and isolate it, and expose every inch of it." A personagem não atraiu de imediato o interesse de que seria alvo mais tarde, mas despertou alguma curiosidade. Sherlock Holmes é conhecido como o detective que resolve qualquer mistério recorrendo a nada mais do que o raciocinio lógico. Foi essa a novidade e é essa característica que atrai, ainda hoje, milhões de fãs.

A acção deste filme passa-se em Londres, no ano de 1891. Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) e o seu companheiro, o Dr. John Watson (Jude Law), conseguem impedir o homicidio de uma jovem baseado em rituais de magia negra. Lord Blackwood (Mark Strong), o assassino, já havia completado o ritual com sucesso várias vezes. A polícia londrina, liderada pelo Inspector Lestrade (Eddie Marsan), chega a tempo de prender Blackwood, que seria mais tarde condenado à morte por enforcamento. No entanto, ele consegue forjar a sua própria morte e por em práctica um plano que lhe permitiria dominar o parlamento e todo o país. Além de ter que impedir Blackwood de concretizar o seu plano, Holmes tem ainda que lidar com a sedutora Irene Adler (Rachel McAdams), uma criminosa com quem já se havia cruzado várias vezes e que trabalha para um misterioso homem, mais tarde identificado como o Professor Moriarty, um dos mais notórios antagonistas de Holmes nas histórias de Conan Doyle.
Este filme tem sido alvo de várias críticas, sendo a mais notória a que diz respeito à não-fidelidade às histórias de Conan Doyle. Nunca li nenhum dos livros, mas parece-me que, quando se adapta uma obra literária ao cinema, há sempre uma certa liberdade artística, que permite fazer determinadas alterações às personagens. Se é verdade que este Holmes entra em lutas de boxe por dinheiro, evita explosões e é desarrumado e mulherengo, é também verdade que as principais características da personagem estão lá presentes: o raciocínio lógico, a atenção prestada aos pequenos pormenores, a aversão a tudo o que não possa ser comprovado cientificamente. Houve aqui uma clara tentativa de modernizar a personagem, e parece-me que isso foi conseguido.

A química entre o Holmes de Robert Downey Jr. e o Watson de Jude Law é o ponto forte do filme: Watson exaspera-se com as excentricidades de Holmes, mas não consegue resistir à sua energia contagiante; Holmes tenta dar a entender que não precisa de Watson, mas está constantemente a tentar "sugá-lo" para a sua vida desregrada. Mark Strong interpreta um vilão digno de qualquer filme de terror; este é, aliás, o quarto vilão que o vejo interpretar, tendo os outros sido em MISS PETTIGREW LIVES FOR A DAY, BODY OF LIES e THE YOUNG VICTORIA . Parece-me que a a Irene Adler de Rachel McAdams é subaproveitada; a personagem poderia ter sido mais proeminente. Chamo ainda a atenção para a banda sonora, da autoria de Hans Zimmer, que está bem de acordo com o ritmo do filme.

SHERLOCK HOLMES não pretende ser uma obra-prima, nem um filme de elevada qualidade, mas sim um produto de entretenimento, um filme que permite ao espectador passar duas horas bem passadas. E, nesse aspecto é, na minha opinião, muito bem sucedido.

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