quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Crítica #30


As heroínas da Disney evoluíram com o tempo, passando das donzelas em apuros que esperavam passivamente pela chegada do seu príncipe nos filmes dos anos 30 aos anos 70 às mulheres fortes e destemidas a partir do final dos anos 80. Branca de Neve cantava "Someday My Prince Will Come", Cinderela foi salva por um sapatinho de cristal, Aurora teve a sorte de encontrar o seu príncipe enquanto cantava e dançava numa floresta. Por outro lado, Ariel queria sair do mar e conhecer o mundo, Bela queria alguém que compreendesse e respeitasse os seus sentimentos, Jasmine queria uma vida fora da claustrofobia do palácio, Pocahontas desafiou o pai numa tentativa de encontrar uma solução pacífica entre colonos e colonizadores e não esqueçamos Mulan, a guerreira que tomou o lugar do pai no campo de batalha. E agora temos Tiana.

Tiana (com a voz de Elizabeth M. Dampier enquanto criança e de Anika Noni Rose enquanto adulta) não é uma princesa. Ela é uma rapariga normal, a viver na Nova Orleães dos anos 20. Ela tem um sonho, que lhe foi passado pelo pai (Terrence Howard): abrir o seu próprio restaurante. Apesar de pedir desejos a uma estrela, sabe que não pode ficar à espera que o seu sonho se realize como por magia e por isso trabalha em dois sítios diferentes, juntando cada cêntimo que consegue ganhar. O problema é que, com tanto esforço e dedicação, não consegue arranjar tempo para se divertir, algo que preocupa a mãe (Oprah Winfrey). Quando vê a oportunidade de finalmente ter aquilo por que tanto trabalhou, os donos do espaço onde o restaurante deveria ser construído dão-lhe a má notícia: alguém lhes ofereceu mais dinheiro, e se ela não conseguir cobrir essa quantia, a outra pessoa comprará o espaço. Desesperada, Tiana pede à estrela que a ajude. E é aí que aparece o sapo do título. O sapo é, na verdade, Naveen (Bruno Campos), o príncipe de um país imaginário chamado Maldonia. E ele está longe de ser o protótipo do príncipe encantado: é um menino mimado, mulherengo e irresponsável que gasta quantias exorbitantes de dinheiro. Os pais cortaram-lhe as mordomias, e se quiser voltar a tê-las tem duas opções: trabalhar ou casar com uma mulher rica. E é isso que o traz a Nova Orleães: ele pretende seduzir e casar com Charlotte La Bouff (com a voz de Breanna Brooks enquanto criança e de Jennifer Cody enquanto adulta), amiga de infância de Tiana e a típica "menina do papá". A aproveitar-se da situação está o vilão da história, o Dr. Facilier (Keith David), um praticante de vudu que se aproveita da vulnerabilidade do príncipe e lhe oferece toda a fortuna que ele quiser... e o transforma num sapo. Quando Tiana o vê, ele percebe que a única maneira de voltar a ser humano é um beijo de uma princesa. E ela está num baile de máscaras, vestida de princesa e com uma tiara na cabeça. O beijo acontece, mas o resultado não é bem o que se estava à espera. Tiana transforma-se em sapo. E agora os dois têm que arranjar maneira de quebrar o feitiço, tendo ao mesmo tempo que fugir do vilão. Para isso contam com a ajuda de Louis (Michael-Leon Wooley), um jacaré que toca trompete, Ray (Jim Cummings), um pirilampo desdentado e Mama Odie (Jenifer Lewis), uma velhota cega e também praticante de vudu (a fada-madrinha desta história).

THE PRINCESS AND THE FROG é um filme à moda dos "bons velhos tempos" da Disney. A animação tradicional deste filme não fica nada atràs da de muitos filmes de animação digital que se vão vendo por aí. A história é o típico conto de fadas. E a música está ao nível da dos filmes que me deliciaram na infância.

Apesar disso temos aqui vários toques de modernidade. A construção das personagens por exemplo: uma heroína que trabalha para viver, um herói totalmente imperfeito. A evolução da narrativa: os dois não se apaixonam à primeira vista, como no típico conto de fadas; como na típica comédia romântica, de início não se suportam, mas conforme se vão conhecendo vão aprendendo um com o outro e o amor vai surgindo. O local da acção: não temos aqui um país distante, mas sim um local bem real, palpável e facilmente identificável. O tempo da acção: a história não se passa "há muito, muito tempo"; estamos nos anos 20, na era do Jazz. A banda sonora: temos ritmos de Jazz, misturados com música típica do local.

Para mim, é um enorme prazer ver os estúdios Disney voltar àquilo em que são melhores, trazendo, ao mesmo tempo, algo de inovador. Deixemos a animação digital para a Pixar e a Dreamworks. A Disney que nos traga mais disto.

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