segunda-feira, 31 de maio de 2010

Cavaco e a direita católica


A direita católica zangou-se com Cavaco. Não ficou nada satisfeita com o facto de ele aprovar a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não percebem que ele tinha que o fazer, porque se não o fizesse a lei voltava ao Parlamento. Aparecem agora pessoas como o Cardeal Patriarca e João César das Neves (o senhor na fotografia acima) a dizer que se desiludiram com ele e que não o apoiam numa nova candidatura. O PSD já veio dizer que apoia Cavaco incondicionalmente. No meio disto tudo, a direita divide-se.

César das Neves é daquelas pessoas que representam tudo aquilo que eu abomino: machista, conservador, retrógado e muito mais. Não concordo com quase nada do que ele diz. Ao vê-lo a voltar à ribalta veio-me à cabeça um post de Ricardo Araújo Pereira no blogue dos Gato Fedorento (já la vão seis anos) e onde ele comentava um conto do Sr. César das Neves publicado no DN. Podem encontrar o post
aqui. E, já agora, podem encontrar o conto aqui. Faz falta o humor dos Gato Fedorento neste tempo de crise...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Matosinhos: uma cidade com História

Vivo em Matosinhos há 22 anos, praticamente a minha vida inteira (vim para cá viver aos 5 anos). Recentemente, ao ver um cartaz no metro que anunciava uma feira do livro em Matosinhos, percebi que sabia pouco sobre a história daquela que considero a minha cidade. Decidi pesquisar. Podem ver o resultado dessa pesquisa no meu outro blogue, LIVROZITOS.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Aprovado!


Cavaco pronulgou a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Contrariado, mas fê-lo. Ele sabia que tinha que o fazer.

Como seria de prever, o PP e o PSD criticaram esta decisão. PS, BE e CDU apoiaram-na. Interessante foi ouvir a representante da plataforma Casamento e Cidadania, a sempre presente Isilda Pegado: "isto vai ter consequências sociais muito graves". Quais? A sério, gostaria que me explicasse. Gostaria de perceber como é que uma lei que dá direitos (quase) iguais a todos os cidadãos poderá ter consequências graves. Se bem que, desta senhora já nada me devia surpreender. Para mim esta lei é uma questão de justiça. Deu-se hoje um grande passo em frente. No entanto, ainda há muito para fazer. Porque o casamento é agora possível, mas o preconceito continuará a existir. É isso que é preciso exterminar.

De qualquer forma hoje é um grande dia para todos os portugueses. Homossexuais ou não.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O Papa, Cavaco e o casamento gay


Bem sei que isto é um blogue de cinema, mas às vezes há outros assuntos sobre os quais quero tecer comentários e não me parece lógico criar mais um blogue. Este é um deles.

A visita do Papa a Portugal não me diz nada. O Papa em si não me diz nada. A Igreja Católica cada vez me diz menos. Mas a verdade é que todos os telejornais falam disso, logo é impossível não ouvir. Ontem, em Fátima, Bento XVI exaltou, mais uma vez, a santidade do casamento, frisando que deve ser a união entre um homem e uma mulher. Aqui não há nada de novo (aliás, é exactamente esse o problema da Igreja Católica). O que me chamou a atenção foi a frase que apareceu em rodapé (já não me recordo do canal, peço desculpa): "Bento XVI condena o casamento gay, que Cavaco ainda não promulgou". Aí eu percebi, fez-se luz na minha cabeça: foi exactamente por causa da visita do Papa que Cavaco ainda não promulgou a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Todos sabemos que o Presidente da República não concorda com essa lei e, apesar de saber que terá que a promulgar, não se quis apresentar ao Papa como um Presidente que o fez. Quis que o Papa o conhecesse como um bom católico, alguém que segue os valores da Igreja. E se isto acontecesse com um cidadão comum, não haveria problema; afinal de contas a vantagem de vivermos numa democracia é precisamente o facto de cada cidadão poder ter a opinião que bem entender. Se esta atitude se aceita em Cavaco-cidadão, é inadmissível em Cavaco-Presidente. Portugal é um país laico, o que quer dizer que tem que ser religiosamente neutro. Como representante do Estado Português e independentemente da sua opinião pessoal, Cavaco já deveria ter promulgado uma lei que já foi aprovada na Assembleia da República e no Tribunal Constitucional (apesar de ter sido bastante ardiloso da parte do Presidente não ter submetido para aprovação a única alínea da lei que poderia ter sido considerada inconstitucional, a que diz respeito à adopção). Não o fez e, na minha opinião, está à vista porquê.

Eu não sou ateia. Um ateu é alguém que não acredita na existência de Deus e eu acredito. Incomoda-me é a forma como os homens da Igreja Católica (e quero mesmo dizer homens, porque todos sabemos que as mulheres não têm lugar no sacerdócio) interpretam Deus. Incomoda-me o facto de passarem uma mensagem que dizem ser a de Deus, mas que na verdade não passa da interpretação feita por algumas pessoas daquilo que está na Bíblia. A Bíblia é um livro maravilhoso, importantíssimo para a História da Civilização Ocidental, mas foi escrita há mais de 2000 anos, numa sociedade e cultura bem diferentes das que conhecemos hoje. É assim que deve ser lida e entendida. Não me parece que Deus, o Deus em que acredito, seja contra o casamento entre duas pessoas que se amam, sejam dois homens, duas mulheres ou um homem e uma mulher. Mas mesmo que fosse, o Presidente da República de um estado laico deveria ser isento. E Cavaco, parece-me evidente, não o é.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

DATE NIGHT / Uma Noite Atribulada

date night

ANO: 2010
PRODUZIDO POR:
Shawn Levy, Tom McNulty
REALIZADO POR:
Shawn Levy
ARGUMENTO DE:
Josh Klausner
COM:
Steve Carell, Tina Fey, Mark Wahlberg, Taraji P. Henson, Jimmi Simpson


Parecendo que não, a comédia é um género complicado. Se é verdade que o objectivo base de uma comédia é divertir o espectador, não é menos verdade que há um tipo de comédias em que se exige mais que isso: exige-se algum "sumo", alguma inteligência. Já referi isto
num post anterior, mas repito-o. Para mim, há dois tipos de comédia: as comédias cujo único objectivo é divertir e proporcionar duas horas bem passadas (as que eu chamo comédias "estúpidas") e aquelas que pretendem ser mais que isso (chamo-lhes comédias "inteligentes"). Há boas e más comédias de cada género. DATE NIGHT consegue ser as duas coisas e aí está o seu principal problema.

Phil e Claire Foster (
Steve Carell e Tina Fey) são um casal de New Jersey com dois filhos e cujo casamento entrou na rotina. Uma vez por semana vão jantar fora, numa tentativa de reacender a "chama", mas nem isso resulta. Uma noite, Phil decide levar Claire a um dos restaurantes mais elegantes da cidade, mas não consegue uma mesa. Ao ver que um dos casais com reserva, os Tripplehorn, não apareceu no restaurante, os Foster decidem aproveitar para ficarem com a mesa. A situação descontrola-se quando começam a ser perseguidos por Armstrong (Jimmi Simpson) e Collins (Common), dois homens que trabalham para o mafioso Joe Miletto (Ray Liotta) e que exigem a devolução de uma flash drive que os Triplehorn haviam roubado. Começa assim uma noite bastante atribulada, em que os Foster têm que fugir dos criminosos, encontrar a flash drive e localizar os verdadeiros Tripplehorn (James Franco e Mila Kunis), contando para isso com a ajuda do ex-militar Holbrooke Grant (Mark Wahlberg) e da detective Arroyo (Taraji P. Henson).

Os primeiros 30 minutos do filme monstram-nos a monotonia do casamento quando este cai na rotina. Quando Phil e Claire já sabem tudo um sobre outro, não resta mais nada para descobrir e os temas de conversa escasseiam. A partir daí passamos para um tipo de filme diferente, com sucessivas situações cómicas bastante bem conseguidas, mas sem a profundidade demonstrada anteriormente. E é por isso que DATE NIGHT não se define exactamente como um dos dois tipos de comédia que referi no início do post. Tem profundidade e tem piada, mas nunca ao mesmo tempo.

Uma comédia romântica vale pela química entre os seus protagonistas e é exactamente este o ponto forte de DATE NIGHT: Steve Carell e Tina Fey (na minha opinião, dois dos melhores comediantes da actualidade) funcionam muito bem como casal, tornando as várias situações cómicas ainda mais interessantes. Destaco ainda a participação de James Franco e Mila Kunis, que só peca pela sua brevidade.

DATE NIGHT é um filme com algumas falhas, mas bastante agradável e capaz de proporcionar duas horas bem passadas. Exigia-se um pouco mais, mas isto já não é nada mau.