domingo, 28 de novembro de 2010

HARRY POTTER AND THE DEATHLY HALLOWS: PART 1 / Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 1

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ANO: 2010
PRODUZIDO POR:
David Barron, David Heyman, J.K. Rowling
REALIZADO POR:
David Yates
ARGUMENTO DE:
Steve Kloves (baseado nos primeiros 24 capítulos do livro homónimo de J.K. Rowling)
COM:
Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Helena Bonham Carter, Robbie Coltrane


O primeiro filme desta saga estreou nas salas de cinema em 2001. Passaram-se 9 anos e chegamos agora ao fim (ou quase). É o fim de uma era, para as personagens, para os filmes e para os espectadores. E este fim começa bem...

Após os acontecimentos do último filme Harry (
Daniel Radcliffe), Ron (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) têm uma missão muito específica: encontrar as restantes quatro horcruxes, pedaços da alma de Voldemort (Ralph Fiennes), que lhe dão a imortalidade. Hogwarts ficou para tràs. Entretanto, o Senhor das Trevas e os seus seguidores tomaram o poder e pretendem criar uma sociedade de feiticeiros de raça pura, eliminando muggles e quaisquer outros com pureza questionável. Cabe aos três amigos tentar impedi-lo.

O tom ligeiramente infantil e "feel good" dos dois primeiros filmes ficou definitivamente para tràs. Este é um filme para adultos. O tom negro que já vinhamos vendo desde o terceiro filme instalou-se definitivamente, e ainda bem. A infância ficou para tràs, o conforto de Hogwarts também. Os três protagonistas saem para o mundo, onde a luta é mais difícil e dolorosa. Não sei se o facto de a própria J. K. Rowling estar na produção deste filme terá contribuído para isso, mas, a verdade é que, de todos os filmes, este é o mais fiel ao livro. Steve Kloves corta aquilo que tem que cortar e deixa ficar aquilo que tem que ficar. Dividir o livro em dois filmes foi, na minha opinião, uma boa decisão. É obvio que a questão monetária terá tido muito peso, mas não me parece que tenha sido o único factor: o último livro, apesar de não ser o mais longo, é aquele onde existe mais informação; essa informação tem que ser transmitida para se compreender a história. Bem sei que a minha opinião está filtrada pela leitura dos livros, mas continuo a pensar que cada cena que vemos neste filme é necessária. Li várias críticas que descrevem
HARRY POTTER AND THE DEATHLY HALLOWS: PART 1 como um filme lento e aborrecido. Discordo totalmente de tal afirmação. O que se passa é que não temos aqui tantas cenas de acção e as que existem são mais rápidas e curtas. Este filme centra-se, mais do que qualquer outro, nas personagens, substituindo a acção pelo suspense. E isso só traz benefícios.

A parte técnica acompanha bem o argumento, especialmente a excelente fotografia do português
Eduardo Serra: os ângulos da câmara, a forma como ela treme em cenas de suspense, a rapidez com que se move de uma cena para outra. Gosto especialmente das cenas na floresta, um espaço amplo mas sufocante. Também a banda sonora de Alexandre Desplat difere completamente daquilo que ouvimos nos outros filmes: é subtil, rápida e sem grandes pausas (nunca ouvimos o famoso "Hedwig's Theme").

Os actores estão melhor do que nunca: a evolução dos três protagonistas é notória; eles conseguem acompanhar muito bem a mudança de tom do filme. O casting secundário é, como sempre, excelente.

Não sei como alguém que não leu o livro vê este filme: compreende tudo ou precisa que lhe sejam explicados alguns pormenores? O grande problema aqui é que os restantes filmes foram mais direccionados para quem conhecia os livros, o que faz com que, chegando aqui, haja alguns aspectos da história que não foram explicados. Se todos os filmes tivessem sido tão fiéis ao livro como este, aqueles que não leram os livros teriam ficado muito mais satisfeitos. Este é, sem dúvida, o melhor filme da saga. E estou convencida de que a Parte 2 vai ser ainda melhor.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

2 Anos!


Este blogue faz hoje 2 anos. Eu bem sei que tem sido um pouco maltratado por mim mas, de qualquer forma, vale a pena assinalar a data. Pois então, parabéns ao Filmezitos!

Se outros realizadores tivessem feito THE SOCIAL NETWORK

Vejam este vídeo. É hilariante.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

THE SOCIAL NETWORK / A Rede Social

the social network

ANO: 2010
PRODUZIDO POR:
Dana Brunetti, Ceán Chaffin, Michael De Luca, Scott Rudin
REALIZADO POR:
David Fincher
ARGUMENTO DE:
Aaron Sorkin (baseado no livro THE ACCIDENTAL BILLIONAIRES, de Ben Mezrich)
COM:
Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Armie Hammer, Max Minghella


Eu devo ser uma das poucas pessoas da minha idade que não tem conta no Facebook. Não porque acho que há alguma coisa de errado nisso, mas simplesmente porque nunca me seduziu. Apesar de não perceber muito bem as funcionalidades do Facebook, percebo que mudou completamente a forma de se fazer amigos online: é simples, eficaz e protege a privacidade (até certo ponto). Ainda não tem uma década e já tem milhões de seguidores em todo o mundo. E tudo isto começou num dormitório em Harvard...

Mark Zuckerberg (
Jesse Eisenberg) é um estudante de Harvard de 19 anos que, apesar de brilhante, tem dificuldade em relacionar-se convenientemente com outras pessoas. No início do filme ele tem uma discussão deveras estranha com a sua namorada, Erica (Rooney Mara), que imediatamente termina a relação. Com o orgulho ferido e deveras embriagado, ele imediatamente cria um site chamado FaceMash, onde é possível comparar raparigas. O site é um sucesso, e imediatamente chama a atenção dos irmãos gémeos Cameron e Tyler Winklevoss (ambos interpretados por Armie Hammer) e do seu colega Divya Narendra (Max Minghella), pertencentes à elite de Harvard. Estes propõe-lhe criar uma rede social exclusiva para a universidade. Mark concorda, mas decide fazer o site sozinho, ajudado financeiramente pelo seu colega e melhor amigo Eduardo Saverin (Andrew Garfield). Como seria de prever, este site (inicialmente chamado TheFacebook) tem ainda mais sucesso que o anterior, espalhando-se por várias universidades e eventualmente para fora do mundo académico. A imiscuir-se no negócio está Sean Parker (Justin Timberlake), o megalómano criador do Napster, que procura uma forma de voltar à ribalta.

Este filme, apesar de baseado em factos verídicos é altamente ficcionado; o próprio Mark Zuckerberg já disse que não foi bem assim que tudo se passou. Isso, no entanto, não tem grande importância: THE SOCIAL NETWORK é sobre muito mais do que o Facebook. É sobre o poder, a ambição, o dinheiro e, no final, sobre a solidão. Nesse aspecto, a última cena do filme é de uma simplicidade brilhante: Mark, o multimilionário, está sozinho; tendo perdido o melhor amigo no processo de subida na vida.

O argumento de Sorkin é excelente: os diálogos passam a um ritmo alucinante, sendo difícil até para as legendas acompanhá-los. A realização de Fincher é subtil, mas certeira, dando ênfase às cenas certas e não as prolongando mais do que o necessário.

O casting foi perfeito: Jesse Eisenberg encaixa que nem uma luva no papel do genial mas extremamente neurótico Zuckerberg; Andrew Garfield acompanha-o bem, no papel do único amigo do amigo do "geniozinho" e a quem ele não dá o devido valor. Surpreendentemente, até Justin Timberlake consegue uma performance muito boa como o ambicioso e insensível Parker.

Num mundo em que a palavra "amigo" se define num clique, é cada vez mais difícil conseguir fazer-se amigos a sério. O mais difícil, na verdade, não é fazer amigos, mas sim mantê-los. Porque o Facebook, por muito útil que seja (e é), não é o mundo real. Esse está, e estará sempre, fora do computador. E é lá que estão os amigos reais.


domingo, 14 de novembro de 2010

HOW TO TRAIN YOUR DRAGON / Como Treinares o teu Dragão

how to train your dragon

ANO: 2010
PRODUZIDO POR:
Bonnie Arnold
REALIZADO POR:
Dean DeBlois, Chris Sanders
ARGUMENTO DE:
William Davies, Dean DeBlois, Chris Sanders (baseado no livro homónimo de Cressida Cowell)
COM:
Jay Baruchel, Gerard Butler, Craig Ferguson, America Ferrera, Jonah Hill


Por alguma razão, não fui ver este filme quando estreou nas salas de cinema. Já nem me lembro bem porquê. O certo, é que sempre tive curiosidade em vê-lo e, agora que estreou em DVD, tive finalmente oportunidade de o fazer. Eu estava à espera de encontrar uma história interessante, engraçada e divertida. Para minha enorme surpresa, encontrei muito mais do que isso.

A história passa-se numa aldeia viking de nome Berk, um local pacífico se não fosse um detalhe: os constantes ataques de dragões. Hiccup (
Jay Baruchel) é o filho do chefe da aldeia, mas isso não faz grande coisa pela sua reputação: os outros vikings não o tomam a sério, vendo-o como incapaz e desajeitado. O que ele mais deseja é caçar dragões, de forma a conquistar o respeito do seu pai, Stoick (Gerard Butler), e o coração de Astrid (America Ferrera), uma viking da sua idade. Após um dos muitos ataques de dragões, Hiccup encontra na floresta um dragão ferido. E este dragão não é qualquer um, trata-se de um Night Fury, o mais raro, mais veloz e mais letal dos dragões. Não o conseguindo matar, o jovem viking começa a perceber que há muito que o seu povo não sabe sobre dragões. Por seu lado, o dragão, a quem Hiccup chama Toothless (Desdentado), começa a confiar no rapaz, formando-se assim uma estranha, mas muito sincera amizade.

A base desta história está longe de ser original; na verdade, já foi utilizada muitas vezes. A forma como é utilizada aqui, no entanto, faz deste filme uma experiência inesquecível. A caracterização e o design das personagens (especialmente de Toothless) estão habilmente feitos; os efeitos visuais são dos melhores que já vi num filme de animação; os efeitos sonoros são muito imaginativos. Mas o destaque vai, sem dúvida, para a banda sonora de
John Powell, que utiliza ritmos celtas para dar o tom certo à história. Mesmo sem as imagens, a música seria impressionante (podem ouvir um pouco aqui).

HOW TO TRAIN YOUR DRAGON não será o melhor filme animado que já vi na minha vida, mas é, com certeza, o melhor que vi este ano (lamento, mas gostei mais deste do que de TOY STORY 3). Foi uma muito agradável surpresa.


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

DVD Pirata vs DVD Não-Pirata

Esta imagem não deve ser nova, mas eu não resisto a colocá-la aqui. Aqui está uma das razões pelas quais se prefere, muitas vezes, DVD's piratas. Para verem a imagem maior, basta clicar.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

ONDINE

ondine

ANO: 2010
PRODUZIDO POR:
Ben Browning, James Flynn, Neil Jordan
REALIZADO POR:
Neil Jordan
ARGUMENTO DE:
Neil Jordan
COM:
Colin Farrell, Alicja Bachleda, Alison Barry, Stephen Rea, Tony Curran


Os contos-de-fadas sempre foram aproveitados pelo cinema, desde a sua forma mais tradicional dos filmes da Disney, passando por uma reinvenção dos filmes da Dreamworks. Com este filme temos um conto-de-fadas moderno, com lendas celtas e as belas paisagens irlandesas.

Syracuse (
Colin Farrell) é um pescador irlandês, que passa os seus dias entre o seu barco e visitas à sua filha, Annie (Alison Barry), que sofre de insuficiência renal e se desloca numa cadeira de rodas. Maura (Dervla Kirwan), a mãe de Annie, não o suporta e, para ele, ela representa um passado sombrio dedicado ao alcool. A única pessoa com quem sente que pode falar é o padre da terra onde vive (Stephen Rea). Um dia, quando está no mar, a sua rede traz uma "pescaria" invulgar: uma bela mulher, que não se lembra como veio ali parar e diz chamar-se Ondine (Alicja Bachleda). O mistério que a envolve faz Annie suspeitar que se trata de uma selkie, uma espécie de sereia da mitologia celta, que terá que voltar para o mar ao fim de sete anos. Tanto Syracuse como Annie depressa se sentem atraídos por aquela mulher. Ondine, no entanto, tem um segredo que pode colocar em perigo as vidas de todos eles.

Como já disse no início deste post, ONDINE começa por ser o típico conto-de-fadas. Durante grande parte da história, ficamos a pensar se Ondine não será mesmo uma selkie, sabendo, no entanto, que as probabilidades de isso ser verdade são muito poucas. É essa fantasia que fascina Syracuse, pois é ela que lhe permite manter-se afastado das muitas amarguras da vida real. Quando a realidade lhe vem bater estrondosamente à porta, ele não consegue lidar com ela.

Esteticamente, este filme é belíssimo: as verdes paisagens da Irlanda rural enchem o ecrã. A fotografia de
Christopher Doyle, assim como o design de produção de Anna Rackard, são de elogiar.

O casting está bem conseguido. É estranho ver Colin Farell num registo diferente daquele a que ele nos habituou, mas, a verdade, é que ele faz um bom trabalho com esta personagem. Alicja Bachleda é uma agradável revelação. Mas, a estrela do filme é, sem dúvida, Alison Barry. Esta jovem actriz enche o ecrã com uma personagem alegre, perspicaz e optimista, o que é surpreendente, tendo em conta que este é o seu primeiro filme. Prestem-lhe muita atenção no futuro.

Um conto-de-fadas é algo com que todos secretamente sonhamos, mas que nunca ninguém conseguirá encontrar. A pessoa que amamos é apenas isso: uma pessoa, com falhas. O mundo real será sempre o melhor sítio para se estar. E, como diz o padre a dada altura, "Misery is easy. Happiness you have to work at." (Ser-se infeliz é fácil. É a felicidade que dá trabalho).