terça-feira, 9 de novembro de 2010

ONDINE

ondine

ANO: 2010
PRODUZIDO POR:
Ben Browning, James Flynn, Neil Jordan
REALIZADO POR:
Neil Jordan
ARGUMENTO DE:
Neil Jordan
COM:
Colin Farrell, Alicja Bachleda, Alison Barry, Stephen Rea, Tony Curran


Os contos-de-fadas sempre foram aproveitados pelo cinema, desde a sua forma mais tradicional dos filmes da Disney, passando por uma reinvenção dos filmes da Dreamworks. Com este filme temos um conto-de-fadas moderno, com lendas celtas e as belas paisagens irlandesas.

Syracuse (
Colin Farrell) é um pescador irlandês, que passa os seus dias entre o seu barco e visitas à sua filha, Annie (Alison Barry), que sofre de insuficiência renal e se desloca numa cadeira de rodas. Maura (Dervla Kirwan), a mãe de Annie, não o suporta e, para ele, ela representa um passado sombrio dedicado ao alcool. A única pessoa com quem sente que pode falar é o padre da terra onde vive (Stephen Rea). Um dia, quando está no mar, a sua rede traz uma "pescaria" invulgar: uma bela mulher, que não se lembra como veio ali parar e diz chamar-se Ondine (Alicja Bachleda). O mistério que a envolve faz Annie suspeitar que se trata de uma selkie, uma espécie de sereia da mitologia celta, que terá que voltar para o mar ao fim de sete anos. Tanto Syracuse como Annie depressa se sentem atraídos por aquela mulher. Ondine, no entanto, tem um segredo que pode colocar em perigo as vidas de todos eles.

Como já disse no início deste post, ONDINE começa por ser o típico conto-de-fadas. Durante grande parte da história, ficamos a pensar se Ondine não será mesmo uma selkie, sabendo, no entanto, que as probabilidades de isso ser verdade são muito poucas. É essa fantasia que fascina Syracuse, pois é ela que lhe permite manter-se afastado das muitas amarguras da vida real. Quando a realidade lhe vem bater estrondosamente à porta, ele não consegue lidar com ela.

Esteticamente, este filme é belíssimo: as verdes paisagens da Irlanda rural enchem o ecrã. A fotografia de
Christopher Doyle, assim como o design de produção de Anna Rackard, são de elogiar.

O casting está bem conseguido. É estranho ver Colin Farell num registo diferente daquele a que ele nos habituou, mas, a verdade, é que ele faz um bom trabalho com esta personagem. Alicja Bachleda é uma agradável revelação. Mas, a estrela do filme é, sem dúvida, Alison Barry. Esta jovem actriz enche o ecrã com uma personagem alegre, perspicaz e optimista, o que é surpreendente, tendo em conta que este é o seu primeiro filme. Prestem-lhe muita atenção no futuro.

Um conto-de-fadas é algo com que todos secretamente sonhamos, mas que nunca ninguém conseguirá encontrar. A pessoa que amamos é apenas isso: uma pessoa, com falhas. O mundo real será sempre o melhor sítio para se estar. E, como diz o padre a dada altura, "Misery is easy. Happiness you have to work at." (Ser-se infeliz é fácil. É a felicidade que dá trabalho).



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